terça-feira, 30 de junho de 2015

Lista das Melhores Sequências de
Abertura e Final do Cinema
Parte III (Epílogo)

Como tudo que é bom tem o seu final, a já consagrada "saga" dos Morcegos (grato aos queridos blogueiros de plantão pelo grande número de visitações), em suas duas listas dos Filmes com As Melhores Sequências de Abertura e de Final de todos os tempos, chega ao seu epílogo. E, se os "capítulos anteriores" já conseguiram prender a atenção com os mais diversificados gêneros e estilos de grandes inícios e fins para grandes títulos cinematográficos, chega a hora em que os "maiorais" dão as caras: finalmente, todos poderão conferir os (pouco mais de) 15 melhores começos/finais de grandes filmes que marcaram a História da Sétima Arte!

Mas e aí: sentiu falta, nesta lista, de algum filme que conta, igualmente, com cenas de abertura e final arrebatadores?! - Impossível, levamos meses elucubrando sobre todas as possibilidades de TODOS os títulos que conseguissem reunir começo e fim arrasadores!!!, gritariam os Morcegos mais empedernidos... Então mande sua sugestão via comentário! Ah, e se, por um acaso, perdeu alguma postagem anterior desta nossa fantástica trilogia, é só clicar aqui e aqui, respectivamente, para ver ou rever todos esses (pouco mais de) 50 filmes geniais, dos primeiros minutos aos emocionantes finais...

15 - Star Wars
Guerra nas Estrelas/ O Império Contra-Ataca


Conhecidos atualmente como Episódio IV - Uma Nova Esperança Episódio V - O Império Contra-Ataca, os dois melhores filmes da saga Star Wars meio que se completam em termos de abertura e final: começamos com o incrível fabuloso letreiro, a nos colocar o que aconteceu antes na estória, seguido da incrível cena do embate intergaláctico entre aquelas espécies de Davi (a nave rebelde da Princesa Leia) e Golias (um gigantesco cruzador imperial) interplanetários no primeiro filme (sem esquecer as apresentações magistrais de nossos dois narradores androides em meio a um tiroteio laser, e do maior vilão do Cinema, Darth Vader, logo em seguida, em grande estilo) e "concluímos" com a melancólica cena onde parte dos nossos heróis (os outros foram abatidos ou estão partindo em arriscadas missões) termina mais uma dura jornada a contemplar o futuro num espaço dominado pelo mal do segundo filme - épico! Os respectivos final e início de ambos os filmes são bons, mas não tão marcantes (a cerimônia das medalhas de Uma Nova Esperança e as sondas robóticas do Império aterrissando no planeta gelado de Hoth em O Império Contra-Ataca), e, por isso, fez-se esta pequena e forçada "edição" entre dois grandes clássicos do Cinema de Ficção/Fantasia - afinal de contas, não era mesmo esse o desejo original do George Lucas: unir todos os 6 filmes (inicialmente seriam 9...) como uma coisa só?!

14 - Janela Indiscreta/ O Processo
O suspense impera neste clássico de Alfred Hitchcock desde as suas primeiras cenas, quando, impossibilitado de sair do apartamento por causa de uma grande fratura engessada, fotógrafo bisbilhota com uma câmera de lente poderosa toda a sua vizinhança de fundo em Nova Iorque, até que, confirmando suas suspeitas acerca de um assassinato, a única arma do personagem contra o seu algoz é o flash da própria câmera - com direito a piadinha final na última cena, onde o protagonista James Stewart agora aparece com um gesso ainda maior a imobilizar toda o corpo abaixo da cintura, depois de ter caído da janela na atemorizante aventura, enquanto sua linda namorada Grace Kelly finge não ser mais fútil.

E falando em Suspense com "S" maiúsculo, os Morcegos jamais poderiam deixar de fora um outro clássico menos badalado do gênio Orson Welles (de Soberba e Cidadão Kane): O Processo, inspirado/adaptado das obras O Castelo e O Processo, ambos de Kafka. As primeiras e as últimas cenas nos apresentam a passividade do Sr. Joseph K. (Anthony Perkins), que, primeiramente, é apenas um cidadão comum que acorda com o inusitado anúncio de um processo sem acusação e de uma prisão sem ser levado sob custódia, logo nas primeiras cenas inserido como mais um numa espécie de "linha de montagem" de um grande escritório (todos voltados para o mesmo lado, vestidos do mesmo jeito, fazendo o mesmo serviço burocrático)! O Estado, o "sistema" passa a persegui-lo, o que culmina numa desesperada aceitação de seu "destino": explodir com uma dinamite cedida pelos seus algozes! Mas tais abertura e final incríveis são precedidos/sucedidos pela parábola "Diante da Lei", também de autoria de Franz Kafka, que "complementam" o filme à perfeição!

13 - A Marca da Maldade

Um impressionante plano-sequência (sem cortes por mais de 3 minutos!) a apresentar os personagens principais até a famosa explosão de uma bomba simplesmente detonam este filme como com uma das mais incríveis aberturas do Cinema - Orson Welles (outra vez?!) simplesmente não se contém e ainda nos brinda, duplamente, nos últimos minutos: além de sua arrasadora direção deste memorável Policial noir (apesar do bronzeado e do bigode fajutos de um "mexicano" Charlton Heston!), eis que o então rotundo ator premia todos os aficionados pela Sétima Arte com com seu triste desfecho num alagado, seguido, em cena, por outro ícone então outonal da Era de Ouro do Cinema, Marlene Dietrich - Um grande detetive, sem dúvida... Mas um péssimo policial!

12 - Tubarão
Se no início somos brindados com uma aula de suspense, com a já emblemática cena da jovem sendo tragada para dentro do mar sem vermos o monstruoso personagem-título, tudo isso ao som do assustador tema de John Williams, Spielberg escancara (e explode) o gigantesco tubarão branco numa das maiores caçadas do Cinema nas cenas finais!

11. Caçadores da Arca Perdida

Como é que se apresenta um grande herói ao público? Especialmente em se tratando de um que deverá marcar as plateias do mundo inteiro por mais dois filmes (sim: esqueça que existe Indiana Jones e A Caveira de Cristal!) e permitir um culto de adoradores nerds por décadas depois? Primeiro, um grande intérprete: e Harrison "Han Solo" Ford é convocado! Depois, coloque sua figura principal de costas, em segredo, pelos primeiros minutos de filme, numa exótica floresta equatorial, até que, saindo das sombras de árvores, ele se revele chicoteando um de seus traidores guias em busca de um tesouro - mais uma vez, Steven Spielberg dá uma aula de abertura cinematográfica! Isso sem esquecer que, logo em seguida, toda a sequência de armadilhas na câmara inca, culminando com a inesquecível pedra gigante rolando em direção ao nosso herói, virou sinônimo de filme de aventura! E o final?! "Feche os olhos, Marion!" - e, logo depois do inebriante e assustador "encaixotamento" dos vilões por fantasmas na misteriosa Arca da Aliança, a última e precisa cena onde o incrível artefato bíblico é, por sua vez, encaixotado e guardado num gigantesco galpão... Clássico!

10. Blow-Up - Depois Daquele Beijo
Um filme enigmático, onde a resolução de um assassinato é menos importante que a obsessão em solucioná-lo por parte de um fotógrafo que, em meio a misteriosas descobertas e enlaces sexuais típicos da contracultura dos anos 60, envolve-se com um trupe artística de performances de pantomima - são eles que abrem este clássico longa existencialista do Mestre Antonioni, passeando em seu carro pelas ruas de uma Londres vazia e suja, e também o concluem, conclamando o confuso protagonista para uma partida de tênis imaginário...

9. A Doce Vida
Fellini num de seus melhores momentos, sensacional retrato de uma época e Palma de Ouro em Cannes: Marcelo Mastroianni e outros maus-caracteres num helicóptero, a carregar uma estátua de Jesus Cristo e paquerando garotas pelo alto dos edifícios (!), abrem esta obra-prima, e, para encerrar, depois de muita luta interna na busca pessoal do protagonista em se "salvar" de tanta perdição mundana por meio de um projeto que pudesse redimi-lo (um livro que escreveria), é interpelado por uma menina ao longe, por meio de gestos, a respeito daquele objetivo - no que Marcelo, depois de ver, embriagado, uma noitada daquelas se encerrar numa praia, prefere dar de ombros para tudo e ficar sem entender coisa alguma...

82001 - Uma Odisseia no Espaço
Kubrick e sua Poesia em imagens de aula de Ficção Científica existencialista: primeiro, um estranho monolito na "aurora do homem", macacos hominídeos e um osso que se "converte" numa nave espacial, milênios no futuro; no fim, depois de uma incessante busca por revelações que levam um astronauta, sobrevivente a um ataque de um computador ensandecido, para perto de Deus, temos um planeta Terra como uma grande placenta com um feto dentro, recomeçando a vida - lindíssimo...

7. Laranja Mecânica

Stanley Kubrick ataca novamente: agora, o gênio maior do Cinema de imagens pungentes vaticina, de início, que o "herói" por quem torceremos é um tanto quanto... "esquisito": close no olhar visceralmente psicopata do impagável Alex, The Large (Malcolm MacDowell no papel da sua vida), enquanto a câmera lentamente se afasta de forma sempre centralizada e mostra o bizarro lugar em que se encontram ele e sua gangue de "drugues", apresentando-se e encarando o espectador para a viagem que se seguirá... Por fim, depois mesmo de nos apiedarmos do monstruoso anti-herói que, pós-traumaticamente sobrevive à "cura" de mesmo nome do título, ultra-violenta revanche do Poder estatal, vemos que nada mudou naquela mente doentia quando presenciamos seu último devaneio antes dos créditos finais: feliz com o "senso de culpa" do Estado e seu Ministério, imagina-se já agarrando à força uma "devótcheca", ambos nus na neve, aplaudidos de pé por uma puritana plateia vitoriana, tudo sob o som da amada 9ª Simfonia de Beethoven...

6. Rastros de Ódio
Aula de Cinema do Mestre John Ford (mais uma...), onde um amargurado e racista velho herói da Guerra Civil terá de encarar pesadas mudanças pessoais em sua jornada em busca da sobrinha capturada por índios: a porta se abrindo, do escuro de dentro da casa onde se encontram as primeiras cenas, para testemunhar as duas chegadas, na abertura e no final, do caubói imortal John Wayne pelo vasto e claro Monument Valley do Velho Oeste - clássico absoluto!

5. O Poderoso Chefão/ O Poderoso Chefão Parte II


- Eu acredito na América! - assim se inicia um solilóquio dolorosamente comovente de um pai siciliano sobre o violento estupro sofrido por sua filha nos EUA dos anos 30 para ninguém menos que O Padrinho Dom Corleone (Brando em seu máximo exponencial em interpretação), que deverá "ajudar", mas "eventualmente pedindo um futuro favor em troca"... Assim começava a maior saga sobre mafiosos do Cinema, baseado na homônima obra-prima literária de Mario Puzo - e que se encerrava de forma igualmente memorável: depois da morte do capo e de jurar de pés juntos para a esposa que jamais se envolveria nos "negócios da famiglia", eis que o antes cordial jovem do exército Michael Corleone se transforma no frio e vingativo novo padrinho, com suas mãos devidamente beijadas em juramentos de fidelidade enquanto as portas do seu gabinete de negócios se fecham diante de uma ainda incrédula Kaye (Diane Keaton).

Tudo bem que o "finalzinho", aquela última cena de O Poderoso Chefão Parte II, em que Michael simplesmente aparece parado, sentado, refletindo friamente sobre seus atos, aparentemente quase que compromete tudo depois da dolorosamente linda cena do assassinato do irmão Fredo no lago, a mando do próprio Michael (poderia ter encerrado bem aí!)... Mas a "mão boa" do então virtuose cinematográfico Coppola, no conjunto, compensou tudo - especialmente quando diante de uma abertura inesquecível, que adiantaria às audiências sobre o triste fim deste clássico: o grande terreno da propriedade dos Corleones abandonado, cheio de folhas e tristeza, sob os tristes acordes do genial Nino Rota.

Não deu outra: "empate técnico" para as duas obras-primas absolutas de Francis Ford Coppola na quinta posição!

4. Tempos Modernos

Chaplin costumava finalizar suas obras de forma genial (O Circo, Luzes da Cidade etc.), mas neste filme ele conseguiu a dupla façanha: inicia lembrando Metropolis e seus autômatos funcionários de fábrica (no caso de Tempos Modernos, há ainda uma analogia ao gado que segue para o abate), passa pela clássica cena de Carlitos dentro das engrenagens, enlouquecendo, e encerra com o seu vagabundo ao lado da linda Paulette Goddard na estrada, sem destino...

3.  Um corpo que cai

Uma perseguição. Dois policiais correm atrás de um suspeito pelos telhados de San Francisco. De repente, o que estava à paisana presencia a queda para a morte do parceiro e, quase tendo o mesmo destino, olha para baixo e um efeito óptico nos dá a exata sensação de vertigem diante da acrofobia (medo de altura) que acaba de se formar no pobre homem. Daí para um labiríntico jogo de obsessões e de lutas contra outros medos conduz o personagem intensamente vivido pelo grande James Stewart em direção à amada que nunca morreu nesta obra-prima absoluta do Mestre Hitchcock em seu melhor trabalho - tudo culminando na impactante sequência em ritmo frenético que acaba, abruptamente, com uma morte em definitivo e o nosso sofrido protagonista despedindo-se duplamente: de sua amada dúplice e do medo de altura...

Tudo bem, as primeiras cenas do filme são os famosos créditos concebidos por Saul Bass e, de acordo com as rígidas regras impostas pelos Morcegos a esta lista, não podem configurar como "melhores cenas iniciais"... Mas são tão bons esse créditos iniciais, com a famosa queda naquele círculo vertiginoso em espiral, ao som do clássico tema do gênio Bernard Hermann, que fica impossível de ignorar... Certo, certo: regras são regras! Ignorem (se forem capazes...) essa abertura tradicional (título do filme e nomes da maioria dos envolvidos nas filmagens, com cenas que muitas vezes antecipam um pouco da trama ao som da trilha principal) e considerem as "primeiras cenas" a da perseguição com James Stewart e temos uma justíssima "medalha de bronze" para Vertigo!

2. Cidadão Kane

Assim como o filme anterior, esta obra genial de Orson Welles costuma figurar constantemente entre os melhores filmes de todos os tempos, facilmente ocupando o primeiro lugar em inúmeras ocasiões. Fácil também é descobrir o porquê: completamente inovador em técnicas de filmagem e narrativa, Cidadão Kane já começa de forma surpreendente: um cinejornal. mostrando um pequeno documentário sobre a excêntrica figura do milionário Charles Foster Kane (diretamente inspirado no real e inescrupuloso magnata do jornalismo, Randolph Hearst), dá à plateia as primeiras noções do que esperar acerca da controversa e complexa personalidade do personagem-título, brilhantemente vivido pelo diretor-roteirista Welles. 

E, assim como no clássico de Hitchcock, em não se considerando esta como a "abertura oficial" do filme (a maioria dos críticos a menciona como uma espécie de "prólogo independente"), as cenas iniciais propriamente ditas vêm logo em seguida, ainda mais arrasadoras e inesquecíveis: lábios idosos e fracos sussurram a palavra rosebud (botão de rosa, em Inglês) e funde-se esta imagem à de um pequeno globo de neve de isopor na água, que é solto com o último suspiro e se quebra (com direito a uma neve espectral em todo o ambiente), revelando, pelo reflexo de seus cacos de vidro, a figura de uma enfermeira que adentra o quarto do recém-falecido personagem... Absurdamente genial (apesar de inverossímil, uma vez que o tal nome sussurrado passa a ser obsessivamente perseguido por um repórter depois de revelado pela enfermeira - que jamais poderia ter ouvido aquele sussurro de fora do quarto!)!

E o final?! Nada menos gigantesco: queimando-se vários pertences do milionário morto em sua nababesca propriedade conhecida como Xanadu, descobre-se, no derradeiro instante, o que ninguém no filme conseguiu dizer com certeza: o tal "botão de rosa" era a pintura que marcava um brinquedo de criança dos tempos em que ainda era um miserável menino pobre - um trenó de neve, que se une às pouquíssimas lembranças puras daquele homem que teve todo o poder nas mãos e que agora vira fumaça negra saindo nos céus de Xanadu...

Realmente difícil colocar este título em segundo lugar nesta lista (ou em qualquer outra)! Mas é que o páreo foi duro... Afinal, a "medalha de ouro" ficou mesmo reservada para...

1. Oito e Meio

O que pode ser mais sufocante do que um engarrafamento?! Some-se a isso um bizarro congestionamento de carros, com tipos ainda mais obscuros e enigmáticos - e, para completar, jogue o nosso protagonista (ou seria o próprio espectador?!) no pior dos carros, com todas as portas e janelas emperradas em meio a um sufocamento por fumaça! Mas resta a força da libertação imaginária: então, saia voando e deixe os problemas para trás... Bom, até que a ideia é boa a princípio e poderia dar certo, se não fossem uns agentes e produtores (metalinguagem absoluta) que o mantêm amarrado pela perna - e que, a qualquer momento, poderão puxá-lo de volta para o chão da pior forma possível! Um pesadelo, sem dúvida... E assim somos jogados ao complexo jogo de realismo e devaneios oníricos de Guido Anselmi (Mastroianni novamente: perfeito), um diretor pressionado por todos os lados devido a uma crise de inspiração artística para desenvolver um novo filme de Ficção Científica enquanto tenta se "curar" revisitando todos os seus medos e pessoas de seu passado - desta forma, nada mais lindo e pungente do que a cena final deste filme um tanto quanto autobiográfico de um Federico Fellini em seu apogeu: juntar e conciliar TODOS os personagens da história do protagonista angustiado (a prostituta ao lado da esposa; o pai ao lado da mãe etc.), passando por suas infância, juventude e maturidade, ao som da circense e maravilhosa trilha de Nino Rota, todos de mãos dadas, fazendo as pazes do diretor com o passado e a vida, tudo celebrado numa espécie de "filme dos erros" da jornada do autor, num grande tipo de picadeiro, que serviria de cenário para a tal nave do filme - que, por sua vez, acaba por nunca ser feito... Talvez o mais criativo filme de todos os tempos, impressionantemente lindo e arrebatadoramente universal, onde qualquer espectador com um mínimo de sensibilidade acaba se encontrando ali, naqueles mais do que memoráveis início e final (afinal, como diria Horácio, "A história fala de você")! Merecidamente, leva o nosso primeiro lugar - coincidentemente, trata-se também do meu filme favorito!

segunda-feira, 15 de junho de 2015

As Melhores Sequências de Abertura e Final:
PARTE II

Tarefa das mais difíceis é compor uma lista igual a essa, uma vez que muitos filmes possuem aberturas incríveis, como Patton ou Lawrence da Arábia, mas não são grandes "filmes de final", como se dá com A Ponte do Rio Kwai ou O Pagador de Promessas... Mas creio terem os Morcegos conseguido um belo resultado, passeando entre nacionalidades, estilos, anos de produção e diretores completamente diferentes entre si, mas com filmes que têm algo muito interessante em comum: arrebatar o espectador de cara e, ao fim, ainda conseguir extasiá-lo com um gosto residual delicioso... Tudo num só pacote! Ou melhor, num só filme...

Tarefa das mais divertidas é um exercício mental igual a esse: buscar na calejada memória afetiva por títulos que reúnam abertura e final (só um ou outro, no mesmo filme, não serve: ambos devem estar presentes!) que mereçam nossas eternas láureas (e lutando para ser justo em lembrar exatamente todos os que mereçam tal honraria sem esquecer nenhum digno de nota)! Eis a nossa PARTE II das melhores sequências de abertura e final do Cinema (e não deixe de conferir a primeira parte desta demolidora lista cinematográfica aqui):

30 - De volta para o futuro...

Centenas de relógios na misteriosa casa de um cientista maluco marcam o tempo desde o mais tenro início do filme - só que 20 minutos atrasados! As antigas viagens no tempo da ficção científica fundidas ao melhor da moderna comédia oitentista, do início ao fim, com a já clássica cena final do DeLorean voador, que tem de "voltar para o futuro" para ajudar os filhos de Marty McFly:
- Ei, Doc, nessa rua não há espaço para alcançarmos 88 milhas por hora! 
- Rua?! Para onde vamos não precisamos de rua...

29 - Monstros S.A.
Logo depois de uma animada abertura com os créditos (o que, por aqui, não conta...), vemos o que parece ser um legendário ataque de um monstro saído das memórias de nossa infância, adentrando o quarto de um menino à noite, vindo diretamente do clássico armário no fundo - e, instantes depois, descobrirmos que aquilo não passava de uma simulação supervisionada para um simpático monstrinho conseguir um cargo na concorrida empresa Monstros S.A., onde, no mundo paralelo de Monstrópolis, os gritos de cada garotinho assustado de cá gera energia por lá! Inúmeros outros arroubos de criatividade depois (portas dimensionais, conspirações de megacorporações etc.), um final lindamente emocionante: o reencontro da garotinha 'Boo' com o seu monstro fofinho favorito...

28 - O Sexto Sentido
O impacto das cenas iniciais, onde o bem sucedido psiquiatra vivido por Bruce Willis é baleado por um assustador jovem ex-paciente que invadiu sua casa, só é vencido pelos instantes finais, onde o choque da surpreendente revelação sobre o personagem marcou plateias do mundo inteiro - e gerou inúmeras imitações de reviravoltas mirabolantes por muitos outros filmes (o próprio diretor Shyamalan virou refém de si mesmo nesse aspecto). Igualmente inesquecível é o ainda garotinho Haley Joel Osment, que se eternizou nas mentes de milhões com seu belo rostinho assustado e sua clássica frase - Eu vejo pessoas mortas...

27 - Poltergeist - O Fenômeno
Que O Chamado, que nada: muito antes de os japoneses descobrirem as terríveis possibilidades de um inocente televisor, Spielberg e cia. já haviam levado portais dimensionais televisivos a plateias aterrorizadas do mundo inteiro no comecinho dos anos 80! Tanto é que a abertura deste clássico já mostra a inesquecível Carol Anne (a linda loirinha Heather O'Rourke, que morreria "misteriosamente" pouco tempo depois do terceiro filme, aos 12 anos) conversando com alguém do outro lado pela TV - que, ao final, é devidamente expulsa do quarto de hotel para onde foge a família toda depois de sua casa ser literalmente sugada para o além! Terror com crítica sócio-comportamental é isso aí: televisão - fora!

26 - Evil Dead - A Morte do Demônio
 O Mal (e não o "Demônio", como quis forçar a tradução do subtítulo "explicativo" em Português) espreita vivo entre as árvores de uma floresta abandonada e ameaça o já clássico Oldsmobille Delta 88 amarelo de Ash e sua turma pela estrada logo no começo do filme, na chegada à famosa casa no alto de uma assustadora colina, onde, depois de despertado e fortificado com a redescoberta do Necromicon, o Livro dos Mortos, pelos jovens, ainda ressurge no final, naquela incrível correria instantes antes de o último sobrevivente tentar deixar o macabro local - ponto para a então revolucionária criação cinematográfica do estreante diretor Sam Raimi: a steadycam, que pela primeira vez no Cinema dava mobilidade no manuseio de uma câmera, que podia correr sem tremer ou prejudicar a filmagem!

25 - Vinhas da Ira
 
Tudo absolutamente impecável nesta linda adaptação do clássico literário de John Steinback, desde o belo retorno da prisão do célebre Tom Joad (magistralmente interpretado pelo grande Henry Fonda), numa belíssima fotografia em preto e branco, descobrindo que sua família continua com muitas dificuldades em meio à Grande Depressão e tendo que acompanhar a derrubada de sua casa pela empresa proprietária daquelas terras, vivenciando a dura nova experiência de perambular dentro de um caminhão (que também lhes servirá de abrigo e moradia) em busca por um lugar melhor, até a "cena do discurso social" - Onde houver injustiça... Eu estarei lá! - e a cena final, onde a igualmente brilhante Jane Darwell, personificando a mãe do protagonista, carimba o célebre desfecho deste clássico do Cinema social: - Nós viveremos para sempre, porque nós somos o povo!

24 - O Beijo no Asfalto/ Assalto ao Trem Pagador
Mais um empate técnico entre dois grandes clássicos nacionais: o primeiro ficou imortalizado pela cena final, com o famoso e polêmico beijo entre Tarcísio Meira e Ney Latorraca; mas, já em sua bela abertura, marcou plateias nacionais ao mostrar outra vítima no asfalto, o painel frontal do ônibus abalroador ensanguentado, passantes em volta do corpo coberto por jornal no chão e uma menininha contra o vidro do coletivo, olhando tudo, numa cena inicial tão pungente quanto o famoso desfecho do filme, baseado na peça homônima de Nelson Rodrigues.

Já no segundo filme brasileiro, o trem pontua as belas cenas do início do instigante clássico policial, que termina com a grande revelação (atenção: spoillers!): o dinheiro do assalto estava o tempo inteiro no guarda-roupa velho na casa do líder do grupo, que é quebrado a machadadas depois de tantas dores e perdas da pobre família, que, fugindo do animalesco avanço de jornalistas, fotógrafos e policiais por sobre as centenas de cédulas, segue para longe daquele dinheiro maldito...

23 - O Rei Leão
O ciclo da vida, tão lindamente cantado na abertura, é ricamente interpretado através de belas imagens de animais e savanas africanas diante da apresentação de Simba, o novo príncipe da selva, que viverá duras agruras e divertidas aventuras até crescer e se tornar o sábio novo rei - ocasião em que aquela bela música fecha o ciclo, com a apresentação do seu filho, o novo herdeiro do Reino Animal.

22 - Sangue Negro
Depois de um duro, porém preciosíssimo, começo, com uma longa sequência silenciosa nos apresentando a obstinação cega e meticulosa de Daniel Plainview (até cálculos brotam na tela, enquanto o maior anti-herói do Cinema contemporâneo imerge num buraco de garimpo do século XIX, em meio a uma belíssima fotografia escura), eis que acompanhamos a ascensão de um monstruoso personagem misantropo (monstruosamente caracterizado pelo sempre genial Daniel Day-Lewis) pela sua gananciosa busca por poder, até chegarmos ao clímax de sua decadência moral na já icônica cena do assassinato na pista de boliche: - Agora, terminei!

21 - Gravidade
 A imensidão do espaço diante da Terra em mais um "dia normal" de trabalho para aqueles astronautas antes de uma incrivelmente realista sequência de desastre graças a alguns poucos meteoritos dão início ao sufocantemente belo Gravidade, que, depois de algumas sequências nem tão realistas assim, acaba por nos entregar um dos mais bonitos finais do Cinema, com a volta (e o renascer pela água) à Terra da personagem pungentemente vivida por Sandra Bullock. 

20 - Apocalypse Now 
- O horror... O horror... As clássicas palavras do Coronel Kurtz (um quase divino Marlon Brando), que teria "enlouquecido" e passado a liderar uma coletividade de nativos numa espécie de misto entre exército e "sociedade alternativa" no Canboja durante a polêmica guerra do Vietnã, parecem percorrer o filme inteiro, desde as cenas iniciais das explosões e do napalm espalhado em uma aldeia no meio da selva ao som do clássico This is the end, do The Doors, passando pelos ventiladores constantes que atormentam o jovem capitão Benjamin Willard (Martin Sheen) com suas lembranças das hélices demoníacas dos helicópteros do Exército norte-americano, até o irracional final, numa primorosa edição entre o assassinato de Kurtz por Willard e a morte de um boi pela tribo - mas não sem antes sermos brindados com outra cena antológica, com Martin Sheen emergindo das águas para a sua cruel missão, e, ainda, uma última cena final, com o genial Coppola nos lembrando que se trata de uma adaptação de No Coração das Trevas, clássico literário de Joseph Conrad, com Sheen voltando a descer o rio na sua barca, cheio de dolorosas reflexões sobre a existência... Ah, sem esquecer do igualmente belo final alternativo da versão Redux, com todo o megalomaníaco cenário da tribo a explodir... 

19 - A primeira noite de um homem
Outra conexão interessante do mesmo diretor de Closer: Nichols, falecido recentemente, entrega, de início, o distanciamento do personagem recém-formado (Dustin Hoffmann, impagável em começo de carreira) que, chegando de avião e passando em frente à câmera, de perfil (ao som da inesquecível The Sound of Silence, de Simon e Garfunkel), pela passadeira rolante do aeroporto, acaba o filme com o mesmo senso perdido em relação ao seu futuro - e isso depois de roubar a lindíssima Katherine Ross de seu casamento, numa das cenas mais antológicas do Cinema, e seguir com ela em fuga num ônibus escolar (!), sem ter a menor ideia do que será dos dois...

18 - 
Crepúsculo dos Deuses
A provocação já começa nas primeiras cenas, com plano sequência pelas calçadas de Hollywood (e título do filme na sarjeta!) até o roteirista morto na piscina, que contará, do além, sua saga por entre os podres da meca hollywoodiana. O final não poderia ser mais alucinante: o delírio da ex-estrela, agora decadente, que, diante da multidão de policiais e jornalistas em sua casa por causa do assassinato, olha para uma das câmeras e solta a célebre frase - Tudo bem, Sr. DeMille: estou pronta para o meu close-up...

17 - Era Uma Vez no Oeste
Sergio Leone em seu apogeu de Poesia de imagens detalhistas e cheias de suspense em torno dos seus rudes protagonistas/antagonistas, desde o duelo de olhares do início, com a chegada à estação ferroviária do estranho Harmonica (porque o sujeito sempre preferia tocar sua gaita a falar), até o final mergulhado em várias mortes e vinganças, com o injusto abandono de uma linda Claudia Cardinale por um obsessivamente vingativo Charles Bronson...

16 - Superman - O Filme


Como a primeira grande adaptação em longa-metragem de um super-herói de Quadrinhos (a primeira havia sido o camp Batman, de 68) deveria começar? Com a pompa e a circunstância de cortinas teatrais se abrindo para uma projeção-espetáculo, claro! Ainda mais quando o som de um projeção mais antiga, remontando ao ano de criação do personagem (1938), passa a exibir um prólogo com singelas imagens em preto-e-branco das mãos de uma criança folheando a primeira revistinha do Super-Homem... 

Ao fundo, a música-tema de John Williams começa a entoar a maravilhosa sequência seguinte - mesmo fugindo do tema, vez que não entram nesta lista sequências de créditos, é impossível não se emocionar com os nomes dos grandes atores e demais artistas envolvidos voando por sobre estrelas! Para completar, após a "viagem" dos créditos iniciais, acabamos parando em Krypton, onde as primeiras palavras do imortal Marlon Jor-El Brando são "Isso não é fantasia!", culminando com o já clássico "Você se curvará diante de mim, Jor-El, vocês dois: você e no futuro o seu filho", no julgamento de Zod - coisa de gênio... Palmas para Richard Donner e Tom Mankiewicz!

Depois desta impactante sequência "tripla" do começo (prólogo + créditos + cenas iniciais: consideramos aquele prólogo como as primeiras cenas ou tudo começa no planeta Krypton? Na dúvida...), nada mais idílico e belo do que, ao final, após alguns diálogos inspiradíssimos, como que tirados de alguma revistinha antiga (entre Lois e Jimmy Olsen; Luthor e o Diretor da prisão), o nosso "salvador" cheio de superpoderes voa por sobre a Terra de maneira plácida, lembrando um balé com todos aqueles maneirismos do saudoso Christopher Reeve, depois de "salvar o mundo outra vez" (na verdade, fora a primeira...) - capaz até de olhar para a câmera, segundos antes de os créditos finais subirem para encerrar tudo, para dar um charmoso sorriso cúmplice com a plateia... Não poderia existir final mais incrível para um super-ser!

sexta-feira, 5 de junho de 2015

(Meus Pouco Mais de) 50 Filmes com As Melhores
Sequências de Abertura e de Final

Alguns filmes são mais do que entretenimento digno de um grande Cinema: são, de fato, uma experiência marcante para toda uma vida... Eu que o diga: tendo crescido assistindo a grandes obras da Sétima Arte, com o tempo soube aproveitar bem tudo de melhor que cada artista tinha a oferecer, independentemente de rótulos a tachar um filme de "comercial" ou "de arte"! Assim, sem preconceitos, cresci vendo de tudo, de Felini a Tarantino, de Kubrick a Lucas, de Antonioni aos irmãos Wachoski... Tudo tinha seu valor e seu altar dentro do meu coração cinéfilo!

E quando um filme marca a História não só de nossas retinas como também do Cinema como um todo, com inesquecíveis sequências de abertura ou de final? Melhor ainda: e se, num mesmo filme, tanto o início quanto o fim são geniais, seja para sintetizar o que será/foi dito, seja para, simplesmente, pontuar um reflexão inicial/derradeira? Este foi o desafio para mais uma Lista Especial: reunir 50 filmes capazes de marcar tanto nas primeiras cenas como nos seus últimos minutos! Eis a primeira parte dela (dos último para os primeiros):



50 - Rio
O filme não vai muito além de uma divertida animação com muitos clichês sobre as venturas e desventuras de seres de culturas diferentes, agora com araras azuis como protagonistas, o velho Brasil de fundo e o seu carnaval para inglês ver (no caso, estadunidense ver); o final, igualmente, não vai muito além do que o início, praticamente repetindo e expandindo a cena e a canção-tema do filme (música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown, que merecia o Oscar). Mas é inegável que a inspiradíssima sequência de abertura revive o que de melhor se fazia na Disney dos anos 40, com uma levada bem brasileira numa inesquecível espécie de "musical" de aves nacionais cantando e dançando ao som de um empolgante samba - e continuando para o que acontecerá com Blu, a ararinha brasileira criada como bichinho de estimação por uma garotinha norte-americana numa região de inverno rigoroso. Ponto para o diretor brasileiro Carlos Saldanha, que conseguiu essa bela proeza em alguns poucos minutos de abertura e encerramento com igual beleza!

49 - Rio 40 Graus/ Vai Trabalhar, Vagabundo
O penúltimo lugar é um clássico precursor do Cinema Novo: apesar da abertura com créditos (o que fere as "regras" autoimpostas para esta lista), o imortal Nelson Pereira dos Santos abre com belíssimas imagens aéreas do Rio de Janeiro, ao som de "A Voz do Morro", e acaba com o mesmo grande samba, fechando num triste travelling por sobre o barraco da mãe que aguarda o filho que nunca vai voltar, com o lindo Rio do começo ao fundo e ao longe - enquanto uns comemoram...

Já com o maior clássico do recém-finado Carvana, empatado nesta quadragésima nona posição, enquanto a abertura tem um tom mais austero, em preto e branco e com o personagem-título saindo de uma colônia prisional de tratamento e se questionando para as câmeras sobre a loucura, o final é pra lá de alegre e otimista, com todos os personagens/atores a passear pelo Rio ao som da belíssima Flor da Idade, composta especialmente para o filme pelo genial Chico Buarque.

48 - Batman - O Cavaleiro das Trevas


Muito bem orquestrada, a abertura com o Coringa liderando um complicado assalto a um banco (ainda que mascarado e comandando ocultamente o bando, revelando-se somente no final da sequência), onde cada assaltante deve matar o parceiro de empreitada (!) até o momento do resgate por um ônibus escolar (!!), ditou o ritmo vertiginoso do filme desde o início - regra básica do Cinema de Heróis: em filme com um vilão tão bom como o Coringa, heróis como Batman ficam em segundo plano! Entretanto, ao Homem-Morcego foi reservado um melancolicamente belo final, com o vigilante em fuga da polícia, em seu batpod, com direito a capa esvoaçando rumo ao fim de um túnel e narração em off do Comissário Gordon - Porque ele é o herói que Gotham merece, e não o que ela precisa no momento. Então nós o caçaremos, porque ele aguenta. Porque ele não é o nosso herói. Ele é um guardião silencioso. Um protetor vigilante. Um cavaleiro das trevas...

47 - A Morte Pede Carona
Inventivo e quase sobrenatural suspense moderno dos anos 80, com um inspirado Rutger Hauer como um assassino caroneiro pelas estradas norte-americanas: azar do hoje sumido C. Thomas Howell, que teve de encarar o psicopata logo no começo do filme num assustador diálogo dentro do seu carro, no meio do nada de uma estrada norte-americana, e, no final, cercou-se de coragem para encarar o aterrorizante criminoso num duelo em delírio... Ah, e se for comer batatas fritas nalgum restaurante de beira de estrada, muito cuidado!

46 - Femme Fatale/ Dublê de Corpo
Tudo bem que o tour de force de incríveis planos-sequências já havia dado as caras em outros dos seus trabalhos (como nos ótimos início e final de Olhos de Serpente), mas, aqui, o grande virtuose Brian dePalma se superou no estilo, ao, primeiramente, deixar sua plateia sem fôlego ao mostrar um audacioso (e sexy!) furto de uma peça rara em meio a um badalado Festival de Cannes, e, por fim, depois de seus costumeiros jogos de metalinguagens (aqui, sonho dentro do sonho), uma visão da bela anti-heroína vivida por Rebeca Ronjim se torna realidade (ou seria sonho?), anunciando uma tragédia numa sossegada esquina de Paris - situação que somente a personagem poderia evitar!

Mas de se lembrar que, nos anos 80, ainda que sem toda a pirotecnia do filme anterior, dePalma já era mestre em driblar seu público com metalinguagens incríveis em começos e finais arrasadores: no caso de Dublê de Corpo, o filme dentro do filme surpreende tanto na abertura como no final - então, tudo era um filme?!

45 - A Liberdade é Azul
Um dos filmes mais tocantes do precocemente falecido diretor polonês Krzystof Kieslowski (55 anos) já demonstra sua riqueza de belas sutilezas no início, com a ênfase no vazamento do óleo de freio do carro da família (enquanto uma garotinha faz xixi na beira da estrada, em segundo plano), o que, em seguida, levará a um chocante e repentino acidente numa estrada francesa, vitimando marido e filha, sobrando somente a esposa/mãe vivida por Juliete Binoche. Atormentada com a solidão e a imensurável dor das perdas, o espectador (e, de certa forma, Julie) só vai perceber o otimismo e a tal "liberdade" do título (uma referência às cores da bandeira francesa) no lindo final: todos os personagens do filme, com que a protagonista interagiu ao longo do filme, encontram algum tipo de descoberta de amor e libertação... E tudo permeado por uma belíssima fotografia, com o azul marcando a tristeza (ou a liberdade) e uma pungente trilha sonora a marcar os momentos de vazio... 

44 - Forrest Gump - O Contador de Histórias
A pena que voa sem destino até cair no colo do inusitado herói Forrest, um sujeito com inteligência abaixo da média, mas que conquista o mundo e todos a sua volta, convivendo com grandes momentos históricos da humanidade - ainda que sem muita consciência disso... No final, a pena se "solta" dele e, novamente, alça voo, incólume e inocente, tal como o próprio herói desta sensível trama...

43 - Pulp Fiction - Tempo de Violência
Apesar de mais longa do que o de costume, a impressionante sequência final completa a impactante cena inicial, com o casal que, depois de um aparentemente tranquilo bate-papo, resolve assaltar uma lanchonete no dia errado - os assassinos de aluguel vividos por John Travolta e Samuel L. Jackson estavam lá! Um filme memorável: sem dúvida, o melhor de Quentin Tarantino!

42 - Um Convidado Bem Trapalhão
Toda a sequência inicial, bem como final, de trapalhadas daquele adorável ator indiano que não se encontrava na sociedade norte-americana consumista, tecnológica e fútil da elite de Hollywood dos anos 60 na inesquecível comédia de Blake Edwards (espécie de homenagem ao clássico "Meu Tio", de Tati), é digna de nota. Mas bastam aquele comecinho do corneteiro "que nunca morre" quando atingido numa guerra (parte de um filme, como descobrimos logo depois) e o finalzinho pós-"cena do elefante na piscina", com o incompreendido personagem magistralmente vivido por Peter Sellers levando sossegadamente sua amada para casa, depois de um filme inteiro de confusões, são brilhantes...

41 - Closer

Coisas de Mike Nichols: o início e o fim do filme se conectando pela personagem da belíssima Nathalie Portman, que caminha exuberante em direção à câmera em belo zoom, mostram duas faces diferentes de uma história de amor marcada por inverdades que só são percebidas se bem de perto... Igualmente marcante a canção que pontua esses dois momentos no filme, Can't take my eyes of you.

40 - UP - Altas Aventuras
Apesar de bem longa toda a sequência de abertura do filme (e também envolver os créditos do filme), que cobre o protagonista dos primeiros anos na infância, quando da descoberta do amor com a melhor amiguinha, passando pelo seu casamento, o problema de não poder ter filhos, os sonhos acalentados de explorar o mundo até a morte da esposa, na velhice, é de uma beleza ímpar e sintetiza uma vida inteira que podia ter sido, mas que acabou por não ser... O final, apesar de bem mais breve e sutil, resume-se a uma cena, porém igualmente bela: o sonho do casal acabou se realizando, de uma forma ou de outra...

39 - O que terá acontecido a Baby Jane?
O "acidente de carro", já nas primeiras cenas impacta, e o filme segue num suspense psicológico único até o melancólico final da "descoberta" da "verdadeira vilã" e da loucura da antagonista, no meio de uma multidão, na praia.

38 - Taxi Driver
O mesmo táxi amarelo que surge assustador por entre as brumas de Nova Iorque, ao som da genial (e derradeira) trilha do mestre Bernard Hermann, volta no final, com um leve tom de "redenção", depois daquela dúbia olhada pelo retrovisor de um dos maiores anti-heróis do Cinema, Travis Bickle.

37 - A Vida de Bryan/ Os Irmãos Cara de Pau
Se o anarquista grupo inglês Monty Python sempre foi demolidor em seu humor genial, o que dizer quando decide recontar a história de Jesus por meio de um seu "vizinho" azarado, nascido no mesmo dia e logo ao lado do Messias? Um começo arrasador, debochando dos Reis Magos, e um final crucificante, com todos cantando e assobiando O Lado Bom da Vida à beira da morte...

Impossível falar de anarquia sem lembrar também The Blues Brothers (no original, "Os Irmãos do Blues"), que tem um divertidíssimo começo estiloso ao apresentar Jake (o saudoso John Belushi) e Elliot (Dan Aykroyd) na saída de uma prisão estadual, e é completamente arrasador ao encerrar com a maior perseguição de carros da História do Cinema, com inúmeros segmentos sociais em perseguição aos músicos anti-heróis (KKK, grupos neonazistas, mafiosos etc.) até a cena derradeira, onde os irmãos detonam cantando Jailhouse Rock... Na cadeia! Uma pequena obra-prima dos anos 80, onde o sumido John Landis conseguiu dirigir momentos dos mais marcantes do Cinema!

36 - Vidas Secas
Um filme cuja trilha sonora é o pungente som de lamúria das rodas de um carro de boi, a guiar o início e o fim de uma família sem destino: pura Poesia...

35 - Os Caça-Fantasmas

Desde o assustador início com a pobre bibliotecária aterrorizada por um fantasma que não se vê, numa incrível sequência silenciosa narrada apenas pela precisa trilha de Elmer Bernstein, seguido do clássico tema de Ray Parker Jr. e do título com a logo do fantasminha, até o final divertidíssimo com todos cobertos de marshmallow num terraço de um edifício em plena Manhattan, cidade adorada pelas forças sobrenaturais da destruição (com direito ao personagem Winston Zedmore gritar - Eu adoro essa cidade!): terror e comédia perfeitos!

34 -  Cassino Royale
Como reiniciar uma franquia começada nos anos 60 e com cheiro de coisa antiga, como vilões ansiosos por dominar o mundo e charmosos espiões da Guerra Fria, em tempos de adrenalina extrema de super-agentes secretos como Jason Bourne? Em preto e branco noir, com bastante suspense, cena de luta e, é claro, com uma inteligente explicação para a já icônica abertura do tiro contra um cano de uma arma apontada para ele: Bond, James Bond - que assim, com sua célebre apresentação, conclui este que é o melhor 007 de Daniel Craig, com direito aos clássicos acordes do tema do espião inglês (que passa o filme inteiro sem tocar). Sempre com uma pequena aventura paralela no início do filme, não havia como o grande 007 ficar de fora desta lista (com a vantagem de que, aqui, ele não fica com a garota no final, mas se vinga da morte dela numa breve cena antológica).

33 - Matrix
De cara, somos apresentados ao revolucionário efeito bullet time, com a famosa parada no ar da personagem Trinity, em meio a uma aparentemente corriqueira batida policial. No final, depois de Neo revelar-se o "escolhido" (Neo=One), Keanu Reeves dá uma chamada na Matrix por telefone e sai voando como um super-herói pós-moderno de um mundo virtual! Poderia ter terminado aí (como na trilogia De volta para o futuro...), mas preferiram esticar tudo com mais dois filmes um tanto quanto desnecessários (como na trilogia De volta para o futuro...)

32 - Birdman
Um meteoro que cai e um homem que "ascende" marcam profundamente a metafórica trajetória do complexo personagem vivido magistralmente por Michael Keaton - sem esquecer o microssegundo de antes do título inicial (um close numa espécie de lula morta na beira do mar) e, logo em seguida ao estranho meteorito em chamas do início, nosso protagonista suspenso no ar, meditando... Depois disso, não poderia haver final mais libertador que o nosso "herói" deixando o hospital daquela maneira!

31 - Melancolia
Falando em quedas de corpos celestes, este caso aqui é devastador: um meteoro cairá sobre a Terra e acabará com toda a vida no planeta (final acachapante), mas, antes, acompanharemos a complexa personalidade da personagem vivida por Kirsten Dursnt, que se conecta com a iminente tragédia desde o início, com lindas imagens proféticas, com a tocante Tristão e Isolda ao fundo.

 

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