quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Minha Lista do Robin Williams...

 Vocês sabem da última...?!

Recentemente, no sagrado zapeamento do fim de noite, ocasião em que se tem um tempinho antes de "arrumar a mochila" para o dia seguinte e buscar o derradeiro golpe de Morfeu ao se entregar ao fiel travesseiro, eis que me peguei fisgado por uma comédia recheada de clichês e a vi por inteiro, coisa de umas duas semanas atrás! Na verdade, o filme era o próprio clichê das atuais comicidades em forma de longa-metragem: a velha e repisada história do pai bem-sucedido, porém refém dos negócios, que descobre ter filhos e, com a forçada aproximação dos rebentos, transforma-se numa pessoa melhor...

Difícil de crer que alguém em sã consciência ainda perca seu tempo com isso, especialmente se esse alguém praticamente ojeriza a Comédia vinda de Hollywood hoje em dia e procura valorizar seu tempo com coisas melhores! Mas o que ainda não informei aos fiéis blogueiros de plantão é que Robin Williams, adorável e grande ator estadunidense que sempre soube como poucos passear entre a Comédia e o Drama (isso quando o seu histrionismo cômico ou a sua dramaticidade caricata não atrapalhavam tudo!), era quem encabeçava o elenco, atuando ao lado de um igualmente carismático John Travolta, conseguindo, assim, fazer do pastiche "Surpresa em Dobro" (apesar de algumas diferenças, lembrou muito outro antigo trabalho similar, "Um Dia, Dois Pais", com Billy Crystal) um adorável passatempo de quinta categoria  naquela noite, dormi feliz por a vida parecer tão simples...

Mas qual não foi a minha surpresa ao saber, na semana passada, num outro derradeiro zapear de fim de noite, que aquele cara loucamente engraçado nos deixara de forma tão trágica e surpreendente  para dormir, desta vez, demorei bastante, permanecendo atônito e triste por uns dois dias...

Não entrarei no mérito da depressão regada a alcoolismo, drogas e aquele eterno tom melancólico de aparente coração apertado que segue, como uma espécie de sombra, os melhores palhaços ao longo dos tempos: isto cabe somente ao homem por trás das metralhadoras giratórias de piadas e improvisos nos palcos, na TV e nos filmes e à sua família, coisa que nunca me interessou... E, honestamente, diante do furacão performático que era aquele artista em cena, ainda capaz da difícil proeza de se conter em bons papéis dramáticos, não cabe a mim nem aos estimados Morcegos destilarem "análises" de ordem pessoal: se até as irritantes bobagens sem muita graça proferidas nos momentos mais "loucos" e as canastrices de personagens ensimesmados e com-cara-de-vítima de alguns dramas esquecíveis a gente perdoa, o que dizer de um momento de fraqueza humana? E não, eu não estou falando do horrível "Patch Addams" (creio que esta deslocada piadinha de humor negro o Robin iria adorar e o Duviver assinaria embaixo!)...

Por isso é que, como fãs do incomensurável artista que se foi  mais um comediante para a lista de dolorosas perdas do ano: fiquei igualmente sentido com a similar ruptura com a vida do promissor Fausto Fanti, do anárquico Hermes e Renato, um pouquinho antes... , os Morcegos se reuniram e estabeleceram os 10 melhores trabalhos de Robin Williams no Cinema. Nas duas primeiras colocações, a genialidade solta de marcantes personagens de animações que ficaram melhores com a presença do maluco beleza; em seguida, um pungente e belo drama com toques lúdicos de um inspirado Terry Gilliam onde o astro reina; em quarto, um injustamente esquecido filme-adaptação de um clássico personagem sob medida para as suas caretas nervosas; quase empatados seguem dois grandes momentos contidos em ótimas comédias dramáticas da década de 80; e o que faltava para Robin brilhar se não era se vestir-se de mulher num show de caracterização (não contamos a deliciosa homossexualidade de "Gaiola das Loucas" devido ao papel "menor", quase enquadrável como "escada" para Nathan Lane)?

Por fim, papéis dramáticos e de intenso suspense marcaram brilhantemente o artista: o bem escrito e vivido psiquiatra cheio de dor que ensina a lidar com a mesma foi inconteste até mesmo para a Academia do nariz empinado do Oscar; e os aterrorizantes trabalhos de incômodos perseguidores terminam por atestar a versatilidade do ator ao desvencilhar-se do eterno tipo bonzinho e amigão que marcou a sua carreira... O quê, se eu não esqueci algo? Não, "ó, capitão, meu capitão": filme supervalorizado dos anos 80, com papel à prova do ator em caracterização tão xaroposa e datada como o próprio filme em si, no caso de Sociedade dos Poetas Mortos, não entra na seleta lista dos amigos quirópteros voadores... E convenhamos: ensinar a chorar é fácil, como no caso daquele tão adorado professor em cima das mesas na sala de aula! Difícil mesmo era fazer rir ou pensar (e, às vezes, ambas as coisas) com outros tipos bem mais interessantes...

Com tantos grandes papéis na carreira, os destaques vão sempre para os delirantes e hilários momentos de caracterização, seja com forte maquiagem a compor um tipo inesquecível do Cinema, seja por trás de um animado personagem de animação...

Alladin (dublagem do Gênio da Lâmpada)
Happy Feet (dublagem de dois personagens: Ramon e Lovelace)
O Pescador de Ilusões (The Fisher King)
Popeye
Moscou em Nova Iorque (Moscow on Hudson)
Bom Dia, Vietnã (Good Morning, Vietnan)
Uma Babá Quase Perfeita (Mrs. Doubtifire)
Gênio Indomável (Good Will Hunting)
Insônia (Insomnia)
Retratos de Uma Obsessão (One Hour Photo)

Exemplo do debochado humor de Williams: "Eu amo Nova Iorque" em árabe...

domingo, 10 de agosto de 2014

Pais Cinematográficos



Há quanto tempo não vou ao cinema... Tudo bem que, mesmo quando tinha mais tempo livre, eu já ia bem pouco, dada a falta de paciência com os perturbadores da paz cinematográfica, com seus celulares inoportunos e suas conversas fora de hora dentro da sagrada sala escura! Mas, ainda assim, na distância, por vezes a saudade apertou e eu bem que gostaria de ter visto, mais para o começo do ano, uma penca de filmes: Ela, O Lobo de Wall Street, Serra Pelada, Walt nos Bastidores de Mary PoppinsCapitão América 2, Noé, Ninfomaníaca, X-Men Dias de Um Futuro Esquecido... O tempo passou, a barriga de minha esposa só aumentando e acabei vendo apenas o novo (e razoável) Robocop do Padilha, em fevereiro! Quem sabe eu não dou um jeito de olhar os badalados da vez O Planeta dos Macacos - O Confronto ou Os Guardiões da Galáxia em meio a uma troca de fraldas e um arrotinho dos gêmeos?

É claro que a mais velha, Isabela, ainda não acompanha a Sétima Arte igual ao pai, tendo em seu currículo apenas trechos de Cantando na Chuva e Mary Poppins, que, somados em suas cenas mais reprisadas e trilhas sonoras tocadas à exaustão no carro, já forma inúmeras apresentações inteiras dos dois filmes! Sua "videoteca pessoal", porém, ainda se limita a DVDs infantis como os da Galinha Pintadinha, com o predomínio de videoclipes musicais, que acompanha, com bom interesse, em toda a sua costumeira duração de 30 minutos em média cada um... Por isso, a não ser por alguns clássicos Disney que ando comprando para a minha própria coleção e que, oportunamente, serão dela (Alice no País das Maravilhas, Branca de Neve e Os Sete AnõesFábulas Disney e quase todos os da Pixar), Cinema só deve vir mesmo a ser assunto da minha garotinha, creio eu, quando esta já tiver seus 5 ou 6 anos, ocasião em que espero levá-la para ver um bom na tela grande...

Falando nisso, até tive tal "oportunidade" no ano passado, quando, por ocasião das "homenagens" ao Dia dos Pais onde minha pequena estuda, o colégio resolveu organizar uma ida ao cinema para ver uma animação da moda de então (creio ter sio o simpático Meu Malvado Favorito 2) – a "tentação" até que foi grande, mas, refletindo sobre a idade de então da minha garotinha (3 aninhos), vi que tudo não passaria de um grande engodo escolar, onde eu só gastaria dinheiro em meio à algazarra da gurizada e nada guardaria de especial de um momento que deve ser tão importante na relação entre um pai e seu filho: a primeira ida à grande e sagrada sala escura da tela mágica... Sendo assim, novamente nesta época de homenagens aos pais, os Morcegos resolveram investir no tom paterno e relembrar alguns pequenos clássicos que trataram da maravilhosa relação entre um (ou vários) pai(s) e sua(s) garotinha(s)...

Isto porque, na semana passada, diverti-me muito revendo num canal a cabo alguns trechos do clássico O céu mandou alguém (The 3 Godfathers), fita "menor" de faroeste do famoso diretor John Ford (No Tempo das Diligências) onde o eterno cowboy John Wayne e mais dois brucutus vivem três ladrões em fuga que, no meio do deserto, adotam uma órfã neném. Hilário quando encontram um livro sobre como cuidar de bebês e passam a contestar os métodos ortodoxos daquele tempo (o filme é de 1948, mas a estória se passa no século XIX), como "jamais dê banho no bebê em sua primeira semana" ou "passe graxa no corpinho da criança"... Bendito hidratante! Mas, como os brutos também amam no Velho Oeste, uma das cenas mais famosas do filme ficou particularmente marcante: quando um deles surpreende os demais ao cantar para a garotinha pegar no sono...

E quem pode se esquecer de Bancando A Ama-Seca (Rock-a-Bye My Baby), onde o "Rei da Sessão da Tarde", Jerry Lewis, por aqui homenageado na última postagem, vivia um simplório "faz-tudo" de uma cidadezinha interiorana que, de uma hora para outra, tinha que penar para dar conta de adoráveis trigêmeas abandonadas numa cesta na soleira de sua porta?! Até hoje me lembro da seqüência onde o comediante, diante do escapulir de um dos bebês em meio a uma nuvem de talco, grita apavorado: "Eu perdi um bebêêê"! Mas tocante mesmo era a cena em que o genial trapalhão põe as pimpolhas para dormir cantando um clássico de ninar italiano, "Dormi, dormi, dormi"...

Porém, o mais lembrado ainda hoje, especialmente pelos papais de primeira viagem, talvez pelo grande número de reprises na Globo, é Três solteirões e um bebê, adorável refilmagem norte-americana (o original é francês) com Tom Selleck (o eterno Magnum), Steve Guttemberg (de Loucademia de Polícia) e o grande Ted Danson como os três 'bon-vivants' do título, que têm suas vidas completamente transformadas após uma linda recém-nascida, depois descoberta como filha de um deles, ser deixada na porta do elegante apartamento do trio de bem sucedidos solteirões! "Como é que uma coisinha tão pequena faz tanto cocô?" (Gutemberg em seu primeiro dia como "pai") e "Não importa o que estou lendo, mas, sim, o tom da minha voz" (quando Selleck é flagrado lendo um livro sobre lutas de boxe em terna voz suave para a neném) são frases que ficaram célebres – assim como também a cena que, pelo visto, nunca pode faltar nesse tipo de filme: a da "canção de ninar", onde os solteirões cantam um clássico dos anos 50 ("Goodnight, Sweetheart") para botar a menininha para dormir...

São tantos os filmes com este mesmo cativante enredo que os clichês são facilmente perceptíveis entre pequenas variações em torno da mesma ideia... Mas quem se importa? Quase um "subgênero paterno", a maioria dessas comédias é simplesmente adorável em torno de papais por acaso, mas sempre bem intencionados com suas trapalhadas em torno de lindas garotinhas, que, de uma forma ou de outra, acabam por nos marcar por muito tempo... Mais ainda nesta época do ano, quando, com um sorriso encabulado nos lábios e cheio de orgulho, revejo um filme maravilhoso passar na minha mente de pai cinéfilo: a filha mais velha a caminho do primeiro longa-metragem ao meu lado e, agora, um lindo casal de gêmeos a reprisar a trajetória pelos musicais infantis mais fofinhos dentro em breve... E, por trás de tudo isso, um pai babão a cuidar das três com a devoção mais cinematográfica (e sempre cantando para os três na hora de dormir)! E, garanto a vocês, levando o maior jeito em todas as áreas, do cocô ao banhinho, sem a menor possibilidade de perder nenhum dos três no talco!

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