sábado, 31 de março de 2012

40 Anos do Padrinho

"Eu não me lembro da última vez que você tenha me convidado para tomar um café em sua casa, mesmo minha mulher sendo madrinha da sua única filha. Mas agora você vem até mim e diz: Don Corleone faça justiça. Mas não pede com respeito, não oferece amizade. Você nem mesmo pensa em me chamar de Padrinho. Ao invés disso, você entra na minha casa, no dia do casamento de minha filha e, me pede pra matar por dinheiro".

Junte um diretor inexperiente; um ator desconhecido e outro, em plena decadência (que daria ao Cinema uma das melhores interpretações de todos os tempos); um 'best-seller' sobre uma família de mafiosos (jamais se podendo usar a palavra "máfia" - sérios problemas à vista...); a volta aos formatos de sagas épicas; e uma fotografia escura demais (Gordon Willis) - no que isso resulta? Quem pensou "num desastre", enganou-se redondamente... Trata-se, sim, de um dos maiores filmes de todos os tempos: O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972) que, neste mês de março que se encerra, completa 40 anos.

O que dizer de uma obra-prima que atravessa décadas como um clássico absoluto, tão bom quanto (ou até melhor que) o próprio livro de Mario Puzo, em que foi baseado? Difícil... Um belíssimo e apurado trabalho de direção de um quase estreante Francis Ford Coppola (lê-se "cópola") - que seria responsável, além deste, pelos outros três melhores filmes da década de 70 - O Poderoso Chefão Parte II, A Conversação e Apocalipse Now... Uma já legendária trilha sonora, do compositor italiano Nino Rota ("auxiliado" diretamente pelo "maestro-pai" Carmine Coppola, não creditado)... Uma narrativa rica de personagens e diálogos (e mais umas 60 cenas de comida espalhadas pela trama), a inverter, de cabeça pra baixo, o polo dos "protagonistas" (pela primeira vez, torcia-se pelos "bandidos", situação erroneamente compreendida, muitas vezes, como uma ode à máfia - o que nunca foi)... Cenas inesquecivelmente épicas de morte (como esquecer o encurralamento de Sony? E o atentado a Don Vito? Ou a explosão do carro da Sra. Michael Corleone)...

Mas além de todas essas qualidades, talvez as duas coisas que mais chamem a atenção para este épico dos "filmes de gângsteres" sejam a excelente montagem, alternando belos momentos familiares (festa de casamento da caçula; jantares etc.) com as tragédias policiais que, aos poucos vão minando aquela família por trás dos "negócios", e as incríveis interpretações de um elenco afiadíssimo, em especial a legítima aula de interpretação de um "decadente" e "encrenqueiro" Marlon Brando (mais uma vez sumindo por trás de um personagem; neste caso, bem mais carismático e grandioso do que no próprio livro original) - que, se estivesse vivo, completaria 88 anos nesta terça, dia 03 - e de Al Pacino, o então preterido "desconhecido"...

Sem dúvida, um divisor de águas! Ainda mais quando este filme, genial em inúmeros aspectos, gerou uma sequência igualmente maravilhosa (para alguns, ainda melhor que o primeiro - pela primeira vez, uma continuação ganhava o Oscar de melhor filme tal como o primeiro, e dois atores diferentes, Brando e DeNiro, levavam a estatueta dourada pelo mesmo personagem, o inesquecível Don Vito Corleone), O Poderoso Chefão Parte II, com suas lindas idas e vindas no tempo entre a origem da família de mafiosos e a ascensão cruel de Michael Corleone como o novo "padrinho" (Pacino, assustadoramente irrepreensível). Isso sem falar no não tão genial, porém belo desfecho, O Poderoso Chefão Parte III (que mais corretamente se chamaria "A Morte de Don Corleone", por acreditar Coppola que se tratava de um epílogo e não de uma sequência dos anteriores), que, quase duas décadas depois da segunda parte (1974/1990), encerra melancolicamente a trajetória banhada de sangue da 'famiglia' mais famosa do Cinema...

"Um dia, e talvez esse dia nunca chegue, eu vou lhe pedir um favor, mas até lá considere a justiça como um presente pelo casamento de minha filha"... Um brinde com o melhor vinho (acompanhado de uma bela macarronada, de preferência com receita do molho caseiro mostrada no filme) a este épico moderno com alguns dos melhores momentos do Cinema de todos os tempos!

“Não é nada pessoal... São apenas negócios.”

quarta-feira, 28 de março de 2012

Idos tempos cheios de bom humor...


Quando eu era criança, ali pela terceira série primária, eu tinha um "privilégio", aliado a uma regra bem sólida, lá em casa: eu até podia ficar acordado para assistir a um dos programas de "tarde da noite" (e olha que, naquela época, assistir TV até "tarde" consistia em ir para cama bem mais cedo que hoje), mas desde que fosse apenas um dia da semana. Assim, naquele tempo, eu poderia escolher ou Viva o Gordo, com o Jô Soares atuando como humorista em quadros fixos, às segundas, ou Chico Anysio Show, com o Chico e suas centenas de caracterizações, às quartas. E nem adiantava quando, ardilosamente, escolhia ver o Jô logo no comecinho da semana, imaginando que, na quarta, minha mãe já se haveria esquecido e acabaria por me deixar ver o Chico também - só na quarta seguinte, se eu quisesse...

Pois bem, a "disputa" era boa (lembro que o povo costumava inventar uma "rivalidade" entre os dois, quem seria melhor, se Chico ou o Jô): ambos os programas eram legítimos representantes da tradicional escola brasileira do "humor de esquetes"; Jô Soares, longe do velho chato arrogante de hoje, era um grande humorista... Mas as quartas, normalmente, ganhavam nas minhas escolhas pueris: se costumo dizer que "aprendi a rir" com Charles Chaplin e Jerry Lewis (porque exibidos em sessões vespertinas, dominicais, quando desde tenra idade via TV com meus pais), obtive minha formação com o genial Chico Anysio, aquele que era o próprio esquete!

Afinal, Chico era o homem das mil faces, vivenciando cada personagem e se transformando de tal forma que muitas vezes se esquecia que era ele por trás da maquiagem ou das vozes incríveis! E que vozes: se hoje tenho a facilidade de criar vozes, chegando a imitar alguns diletos cantores só de brincadeira, devo isso à escola daquele Mestre, ele mesmo, um grande imitador - e tome imitação de Luiz Gonzaga na voz de Pantaleão; ou um sarro com o jeito carioca de falar de um conhecido aplicado no Azambuja etc.

E se muitas piadas eram "adultas" demais para mim naquela idade, com malícia ou carregadas de conteúdo político ou social, tudo se atenuava com personagens mais "infantis", como Cascata e Cascatinha ("Meu pai-pai... Meu 'garouto'"!), Bento Carneiro ("Do além, do aquém, 'de adonde' 'veve' os 'morto'"), Popó ("Idiooota"!), Silva ("'Bunitinho'"!) e Professor Raimundo ("E o salário, ó...!") - este, um caso à parte: o primeiro de todos, ainda na rádio, na década de 50, também foi o primeiro lançado na televisão, sendo o personagem mais humilde de Chico, porque não só servia de "escada" para outros brilharem como também alavancou inúmeros comediantes esquecidos (Grande Othelo, Walter Dávila, Brandão Filho, Zezé Macedo) ou lançou muitos novos talentos (Claudia Gimenez).

Um lado que pouca gente conhece é o seu como compositor: além do brilhante clássico Rio Antigo (imortalizado na voz de Alcione), Chico Anysio ainda criou Baiano, uma sátira a Caetano, que, ao lado de Arnaud Rodrigues (Paulinho), viveu Baiano e os Novos Caetanos e lançou alguns discos e vários sucessos inteligentes e de boa música pela dupla de personagens, como Aldeia, Folia de Rei, Urubu tá com raiva do boi e o "clássico maior" Vô batê pa tu. E, como meu pai possui até hoje o LP Baiano e os Novos Caetanos, uma delícia rememorar estes clássicos da minha infância (juntamente ao já clássico tema de abertura dos programas desde a década de 80, Hino ao Músico, cuja vinheta roda ao lado)...

Eu cresci, outros programas de humor surgiram, o "privilégio-proibição" foi-se atenuando (já na minha quinta série, eu poderia ver TV Pirata acrescido aos outros dias notívagos, que não cessaram até hoje), mas só uma coisa não mudava: minha adoração pelo velho Chico e seus personagens fascinantes! Decerto que, com o passar do tempo e com as inúmeras transformações (mudanças e aumento no número de roteiristas, alterações nos programas e nos nomes - Estados Anysios de Chico City, Chico Total etc.), o ritmo daquele humor de esquetes foi perdendo o fôlego... Mas nada que o velho Chico não tirasse de letra: multifacetado, ele ainda seguiu genial em suas crônicas no Fantástico (o programa era bom nessa época...), nos seus textos ("O brasileiro só tem três problemas: café, almoço e jantar"; "No Brasil de hoje, os cidadãos têm medo do futuro. Os políticos têm medo do passado" etc.), no Teatro (atuando ou dirigindo), com suas pinturas e seus livros, lançados aos borbotões (alguns interessantes; outros, nem tanto, somente com repetecos de quadros ou piadas tradicionais...), no Cinema (atuou em Tieta, tendo participado de filmes em parceria com Grande Othelo e com o também genial Oscarito no passado) e na TV (no caso, a cretina Globo, que o manteve na geladeira por um bom tempo, fazendo apenas participações em novelas ou em especiais - sem contar o crime de colocá-lo no decrépito Zorra Total).

Hoje a "moda" é o 'stand-up comedy', onda em que, guardadas as devidas exceções, muita gente sem muito talento tem embarcado, ainda que ignorando que um dos pioneiros nesse "humor de cara limpa" foi o velho Chico Anysio... Tempos em que o humor era feito por gente muito mais preparada para surfar no movediço terreno do politicamente correto sem as patrulhas moralistas caírem em cima... E agora me vai embora o Chico, numa triste morte anunciada (em seu último 'show' aqui em São Luís, a que tive prazer de assistir, atuou quase o tempo inteiro sentado, devido a problemas crônicos de respiração graças ao cigarro), sem graça, fazendo-me ainda mais nostálgico por dias antigos de uma infância repleta de personagens inesquecíveis (Alberto Roberto, Nazareno, Pantaleão, Bozó - todos morrendo com o seu autor...)!

E, falando em tempos idos e em gente cheia de talentos, nem bem terminava estas breves divagações sobre idos tempos cheios de bom humor inteligente, descubro que o velho Millôr Fernandes morreu ontem, aos 88 anos... Morrem o jornalista, o escritor, o dramaturgo, o humorista, o tradutor: vai-se mais um homem de mil faces da minha rica infância, do tempo em que ria com ele na Veja (no tempo em que era inocente e lia esse lixo de jornalismo reacionário de extrema-direita), suas máximas geniais ("Chato: indivíduo que tem mais interesse em nós do que nós temos nele", "O homem é um macaco que não deu certo" etc.) e adorava suas ilustrações multicoloridas e debochadas...

Não nego que adore esta nova geração cheia de gás, como Marcelo Adnet e Rafael Queiroga (respectivamente, o Chico Anysio e o Arnaud Rodrigues dos novos tempos), o Danilo Gentilli, o Marcelo Bonfá... Mas mesmo estes devem confessar que nada seriam sem mestres como o Chico (e, agora, o Millôr...) lá atrás, a marcar suas infâncias na melhor educação do humor brasileiro...

domingo, 25 de março de 2012

ENTREATOS III

Homenagens Tardias:
Aniversários Passados



Ele, sem dúvida, ocupa o especial panteão dos maiores compositores sinfônicos, significando sempre "o cara" das trilhas sonoras - especialmente porque dominou a cena dos grandes clássicos dos anos 70 e 80, muitos na já histórica parceria com o diretor Steven Spielberg e também com George Lucas: Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Tubarão, Guerra nas Estrelas (considerada a melhor trilha de todos os tempos,pelo American Film Institute), Superman, Caçadores da Arca Perdida, E.T. e Império do Sol (sem contar as belíssimas trilhas de Jurrasik Park e A Lista de Schindler, de 94). John Williams completou, no último dia 08 de fevereiro, 80 anos de idade - e, o que é melhor, ainda em atividade: na última edição do Oscar (para o qual já foi indicado por incríveis 47 vezes), obteve, numa tacada só, duas indicações pelas boas trilhas deCavalo de GeerraeAs Aventuras de Tintim. Juntamente a gênios da área, como Bernard Hermann, Ennio Morricone e Nino Rota, Williams tem seu lugar cativo na memória afetiva de cada um que já assobiou algum dos seus temas repletos de metais e fantasia! Querendo matar saudade? Clique no vídeo abaixo e se delicie com um 'meddley' (no meu tempo era 'pout-pourri') de alguns dos seus maiores clássicos - impossível não acompanhar assobiando...


Ela foi cantora, atriz, bela, carismática e versátil; a artista feminina mais cara da sua época e um símbolo primordial do tropicalismo (ainda que na afetação 'made in Hollywood'): Carmen Miranda era mesmo notável em tudo o que fazia e, inesquecível por tudo o que representou, mantém-se viva até hoje, cultuada como uma espécie de Elvis dos trópicos... O último dia 09 de fevereiro assinalou 103 anos do seu nascimento - infelizmente, representante de uma alegria contagiante e aparentemente infindável, morreu de forma triste e precocemente, aos 46 anos... Ao lado, na coluna lateral, segue abaixo um fragmento da sua gostosa carreira no Cinema: ao lado de outro aniversariante recente, o ainda bem vivo Jerry Lewis (86 anos), no filme de 1953, Morrendo de Medo (aquele da hilariante e antológica cena em que Jerry imita Carmen, dublando "Mamãe eu quero" com um disco tocado por Dean Martin).


Para o amigo JFS, que me lembrou desta delícia de clássico dos velhos tempos...

E, mais recentemente (ontem, dia 23), um aniversário não poderia deixar de ser lembrado - apesar de ela ter-se ido no ano em que nasci, em 1977: a fascinante, polêmica (teria sido tão má como no livro Mamãezinha Querida, da sua filha adotiva?) e multifacetada Joan Crawford chegou a este mundo há 107 anos e marcou para sempre sua presença por meio do seu talento inesgotável em vários filmes inesquecíveis. Mas não falo da jovem e bela Joan de filmes como Rain e Grand Hotel: ela me marcou muito mais na sua maturidade de clássicos absolutos como Johny Guitar e, o maior de todos, O que terá acontecido a Baby Jane - onde somente uma atriz brilhante poderia ser páreo para duelar com uma bestialmente genial Bette Davis e sua vilã diabolicamente infantil Jane Hudson, que infernizava (dizem que também nos bastidores, onde a rivalidade entre as atrizes era quase igual à vista nas telas) a vida de sua irmã Blanche (Joan), uma aparentemente vítima paraplégica devido a um acidente de carro. De longe, o maior suspense psicológico da História cinematográfica (beirando mesmo o gênero Terror), com uma inesquecível interpretação deste mito hollywoodiano eterno...


terça-feira, 20 de março de 2012

Ao Ditador... Os Maxixes!

Engasgou-se?! Pois vá se tratar na "revolucionária" Saúde do Maranhão!


Sou nascido e criado em São Luís do Maranhão e, desde que me entendo por gente, o Coronel Bigodudo já dominava estas paragens décadas antes, ampliando gigantescamente o seu poder depois de lamber as botas dos generais na Ditadura Militar e após a sua estada na Presidência (dizem por aqui que o "hômi" bateu tambor e o Coisa-Ruim ajudou no despachamento do Tancredo). Por isso, pelos seus mandos e desmandos, pelo tempo enorme no poder, tanto nacional como maranhense (tirante o finado Jackson Lago, todos os governadores foram seus paus-mandados) e pela gigantesca súcia de asseclas mamando nas tetas maranhenses, o meu Estado é um dos últimos da Federação em números de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), disputando "cabeça a cabeça" com Alagoas pela última posição.

Infelizmente, nosso Mandatário-Mor não concorda com isso: como todo tirano ditatorial, Sarney é vaidoso e gosta de acreditar em suas próprias mentiras - assim, no último dia 05, de forma absurdamente senil, na "coluna" que assina no jornal local de sua propriedade (em tese, ele não poderia possuir meios de comunicação - mas diga isso a ele e à corja que ele presenteou quando da votação dos 5 anos de mandato na Presidência: ACM, Jáder etc.), vejam só os absurdos que o insano politiqueiro teve o desplante de publicar:

Nós estávamos numa situação precária e atrás de muitos estados do Brasil, mas agora, com o programa Saúde é Vida, do governo Roseana e o trabalho desenvolvido pelo secretário Ricardo Murad, nossa situação inverteu-se e passamos a ser das melhores unidades da Federação que enfrentam esse difícil problema, que continua a ser a primeira das preocupações do povo.

(...) Por exemplo, repete-se e vai pegando a deslavada mentira que o Maranhão é o estado mais pobre do Brasil. Mede-se a riqueza de um país e um estado pelo PIB, que é a soma de tudo o que se produz e não pelos índices baixos de IDH (...) Nosso desenvolvimento não se restringe somente à capital, mas cobre todo o interior, onde há crescimento e progresso.

Mas como surgiu essa campanha? Um governador que tivemos, cujo nome quero esquecer, para atingir-me, resolveu atingir o Maranhão, desmoralizá-lo nacionalmente e assim jogar nas minhas costas essa mentira e ignomínia. Calculem que com o dinheiro do nosso próprio povo colocamos out-door em todas as capitais do país dizendo: “Maranhão, estado mais pobre do Brasil”. Quando eu vi isto nas avenidas de Brasília chorei de indignação. Isso não se podia fazer com o Maranhão.

Tem sido uma luta imensa reverter essa campanha criminosa. Agora, com o governo Roseana e o prestígio do Maranhão em nível federal, com ministros e grandes políticos, estamos mudando essa mentirosa difamante campanha. Como exemplo, vemos os números da saúde, resultado da construção e funcionamento das UPAS e dos hospitais que estão sendo feitos e inaugurados em todo o Maranhão.

Pra frente Maranhão! Temos orgulho de ti e repudiamos essas bocas malditas.

Bravo: nem nos anos de chumbo o Brasil viu frases feitas mais pérfidas! O Maranhão é esplêndido! Quem prejudicou o Estado foi a "traição" de José Reinaldo Tavares (governador mencionado no texto, que rompeu com o Dito-Cujo e se aliou à oposição, apoiando Jackson)! E quem não aplaude esta aberração fascista da Famiglia Sarney é contra o Maranhão (mais nazi-fascista, impossível!) - tal como no dizer de Magno Bacelar PMDB), lacaio... digo, vice-líder do Governo na Assembleia, para quem a oposição, quando critica a "Revolução na Saúde" promovida por Roseana Sarney, só tem intenção de denegrir com politicagem o "excelente" trabalho da governadora:

“Aqui, no Maranhão, quando se tem uma governadora que tem um secretário que é um colega nosso, deputado que resolveu os problemas de saúde do nosso Estado, a oposição deveria ficar silenciosa e bater palma e aplaudir o governo” (...) “É chegada a hora” de dar um basta exatamente nessa politicagem que não resolve o problema do nosso povo. O que resolve, sim. é trabalhar e esse trabalho com determinação vem sendo feito pela nossa governadora Roseana Sarney”, de acordo com Bacelar.

Tudo isto porque, durante vistoria nas unidades de saúde de várias cidades do interior, os deputados federais Domingos Dutra (figura quase lendária da Política local por algumas extravagâncias necessárias, da facção mais radical do PT maranhense que não se vendeu ao PMDB) e Simplício Araújo encontraram jumentos, cães, gatos e muito mato (inclusive plantações de maxixe, melancia e feijão), além da óbvia e completa precariedade das estruturas físicas dos hospitais visitados - os mesmos da tal "Revolução" prometida por Roseana, que construiria 72 hospitais (um absurdo de promessa!) e, até agora, das pouquíssimas unidades entregues (muitas delas UPAs, do Governo Federal, a preços muito maiores), muitas ou não funcionam a contento (falta de profissionais, equipamentos etc.) ou mesmo restam abandonadas, servindo de abrigo para animais e plantas (algumas mesmo sem nenhuma vigilância). Detalhe: depois das denúncias e das consequentes repercussões, Roseana apressou-se em entregar mais UPAs (frise-se: do Governo Federal) e alguns poucos hospitais de pequeno e médio porte do jeito que pôde, não sem o uso do bom e velho sensacionalismo absurdo...

Enquanto tantos maranhenses ainda são transportados de maneira precária à procura de médicos ou leitos em longas peregrinações pelos interiores (e mesmo na Capital), no Reino Encantado da Publicidade milionária (Roseana gastou mais de R$ 10 milhões com o carnaval da Beija-Flor e com "investimentos culturais" duvidosos nalgumas cidades maranhenses, afora os R$ 6,5 milhões com Duda Mendonça para a divulgação, em propagandas caríssimas, dos "avanços na saúde" no Estado - tudo com retorno certo para os cofres do próprio Sistema Mirante, da Famiglia), a governadora vem falar de hospitais faraônicos e numa saúde de primeiro mundo...

Mas nem o tambor mais poderoso sustentará vivo o Faraó Maranhense para sempre: da mesma forma, senador amapaense e eterno presidente do Maranhão, que, do alto das suas pirâmides, mais de quatro décadas vos contemplam, grandes impérios sempre terão suas quedas e, com a sua, haverão de cair também as mordaças contra as devidas divulgações sobre seus filhos e "afilhados", bem como as togas corruptas que sustentam seus desmandos e os jornais que divulgam suas vaidosas "verdades" haverão de ruir como pó... Não, aqui não se trata de nenhuma "praga do Egito" sendo rogada a ninguém, mas só e tão somente uma constatação! Afinal, o eterno dublê de escritor e marimbondo da Literatura ruim não sempre admirou o nosso majestoso e inigualável Machado de Assis? Pois já é hora de sentir o peso da idade e aposentar-se (de preferência, tratando-se diretamente na tão avançada Saúde do Estado!), pois, bem pior que as pessimistas batatas machadianas herdadas pelo vencedor, no Maranhão a coisa começa a ficar diferente: ao ditador, em breve, só restarão... os maxixes!

sexta-feira, 16 de março de 2012

Carta ao Sr. Lewis


Jerry Lewis, quantas saudades...

Happy birthday!

Não, o senhor não me conhece: nem de fã-clube algum seu eu faço parte. Mas é como se o conhecesse pessoalmente há muitos anos... Afinal, "aprendi a rir" com o senhor e com Sir Chaplin. Na verdade, sou somente mais um dentre os milhões que cresceram vendo o senhor na TV. Primeiramente, na imperialista TV Globo, onde minhas férias escolares significavam ver o "Jérri Lévis", como brincava meu pai no aportuguesamento, quase toda tarde de julho ou de janeiro - tanto que o senhor ficou conhecido, com o tempo, como "O Rei da Sessão da Tarde"! Alguns anos depois, eu já na faculdade, o barato saudosista da época era (re)ver o senhor na então recém-inaugurada Rede TV, emissora que, apesar de hoje não merecer nenhum comentário, na ausência de produções próprias em seu tenro início, exibia um monte de filmes antigos - e o Jerry Lewis, então, virou o "Rei da Rede TV" (tanto que se brincava que o senhor seria um dos sócios)!

Não, nenhum preconceito quanto a "filmes antigos", muito pelo contrário: só evidenciando como as televisões se esqueceram do senhor, elegendo como "antiga" qualquer produção de antes de 1999 e relegando-a ao banimento das madrugadas... Uma pena: sinceramente, lamento a garotada de hoje crescer vendo repetecos exaustivos de filminhos ruins, sem jamais ver um "clássico" como Errado pra Cachorro, O Bagunceiro Arrumadinho, A Família Fuleira ou Artistas e Modelos - os quais minha mãe conhecia não pelos títulos, mas pelas suas hilárias sequências, como "aquele em que o aspirador de pó suga tudo numa loja", "aquele das macas caindo das ambulâncias e descendo correndo as ladeiras da cidade", "aquele do monte de tios malucos" e "aquele da Mulher Gato", respectivamente, e com os quais ensaiei as primeiras gravações em VHS lá pelo final dos anos 80.

Bons tempos... Como disse antes, depois de adulto e ainda com dificuldade de encontrar seus filmes nas locadoras, pude matar saudades de outras de suas produções maravilhosas naquela chinfrim televisão iniciante: assim eu urrava de alegria infantil ao rever alguns dos meus favoritos, como Bancando a ama-seca, O Rei do Circo, A farra dos malandros, Ou vai ou racha e O Terror das Mulheres. Com ou sem Dean Martin (incontestável cantor, mas sempre enciumado com o seu brilho, você sendo capaz de roubar todas as cenas), recheado ou não dos clichês da época, o senhor sempre foi o grande astro genial!

Normalmente associam a sua imagem a um mero "careteiro": absurdo! Mesmo antes de ir para o Cinema e já em parceria com Martin no teatro de variedades, o senhor era anarquicamente criativo e já sabia tudo de Comédia! E na telona, então - foi acabar a dupla Martin-Lewis em 57, que o senhor conseguiu se superar ainda mais: com o controle criativo das suas produções, seja na direção de pequenas obras-primas como a reinvenção de "O Médico e O Monstro" em O Professor Aloprado (sem dúvida, seu melhor e mais popular filme) e O Mensageiro Trapalhão (uma ode ao Cinema mudo, com suas piadas quase surreais), seja na produção e no roteiro, ou ainda nas suas parcerias perfeitas - como aquelas com o diretor Frank Tashlin, que dizia exatamente o que o senhor queria -, seus trabalhos foram geniais até 1965, quando, da comédia para as pequenas tragédias, a coisa toda pulou rapidamente...

Mas, como hoje é dia de festa, nem quero lembrar aqueles tempos difíceis, de dores, problemas com remédios e fracassos, preferindo elogiá-lo sobre como deu a volta por cima, não só artisticamente - quando, além de ter virado até desenho animado, mostrou outras facetas, como a ótima veia dramática em grandes filmes como O Rei da Comédia, de Scorcese, ou Um Sonho Americano, de Kusturika, reinventando-se também na televisão -, como também revelou ao mundo o seu lado mais humano, digno da indicação a um Nobel, ao desenvolver os trabalhos da Associação de Distrofia Muscular e criando o famoso Telethon, maratona televisiva para arrecadação de dinheiro para tratamentos de distrofia (hoje bem conhecida no Brasil por meio do Silvio Santos).

Pelo mímico genial (até hoje rio com sequências memoráveis de grandes pantomimas ao som de clássicos musicais, como a "datilografia imaginária" de Errado pra Cachorro ou as ordens do chefe numa reunião em Mocinho Encrenqueiro), pelo comediante perfeito e inovador (tanto que idolatrado na França, berço de Max Linder e Jacques Tati), pelo roteirista criativo e diretor preciso (ao ponto de patentear invenções para melhor uso da câmera), pelo cantor afinado (apesar dos fingimentos cômicos nas desafinações nos filmes), pelo 'showman' que sempre foi (segurando, por tantos anos, a apresentação solo do Telethon), pelo artista completo e inspirador de tantos outros (como Jim Carrey, um dos seus maiores sucessores em comédia física) e pelo belo ser humano... os meus parabéns, Sr. Lewis!

P.S.: quando (e se) esta carta chegar às suas mãos, não se preocupe - não sou nenhum louco Rupert Pupkin, mas só e tão somente a huge fan!


É festa! Felizes 86 anos, amigo Jerry!

terça-feira, 13 de março de 2012

Entreatos II

Os Maiores Clichês em Cartaz

Tudo bem que, com a produção anual de Cinema em escala industrial (especialmente se proveniente da meca hollywoodiana), fica cada vez mais difícil ser completamente original no que diz respeito à divulgação dos 'blockbusters' da vez. Mas um pouquinho de criatividade não faz mal a ninguém... E o público, sem dúvida, agradece! Por isso é que, bastou fazer sucesso, todas as ideias são imediatamente copiadas para os trabalhos vindouros, principalmente se a temática é parecida - a começar dos próprios cartazes destas produções.

O que dizer dos filmes de ação, por exemplo? Já saturados em suas peripécias em câmera lenta à Matrix ou à John Woo e com suas reviravoltas intermináveis para justificar as saraivadas de balas nos roteiros e o excesso de explosões na tela, parece já ter sido estabelecido um consenso não só na repetição das "tramas" como também nos pôsteres - é só dar uma conferida na imagem ao lado, uma montagem com vários cartazes de superproduções do gênero bem "parecidos": tudo em preto e branco (ou num leve tom sépia), envolvendo algo de fogo!

E os pôsteres "semelhantes" não param por aí, com um pragmatismo gigantesco de certas "temáticas" a serem seguidas: "Herói visto por trás", "olho gigante" e "cabeças grandes no horizonte de uma praia em primeiro plano" são apenas alguns dos clichês mais famosos já há um bom tempo! É o que nos lembra a divertida brincadeira de associação feita no 'site' Design on the rocks - clique e se divirta com várias outras faltas de criatividade em pôsteres de filmes do mundo inteiro!

Batman:
O Maior Super-Herói das HQs


Mesmo ainda tendo minhas dúvidas quanto a este título (um super-herói é "super" somente quando tem "superpoderes"?), o Homem-Morcego bateu gente poderosa, literalmente, e deixou para trás personagens do calibre do Super-Homem e do Homem-Aranha (2º e 3º colocados, respectivamente) em votação feita recentemente entre os leitores da revista especializada Comic Heroes.

Seja pelo visual cada dia mais 'cool' (com ênfase maior no lado sombrio, desde suas origens em 1939, passando pelos esforços de Neal Adams, nos ano 70, e do filme de Tim Burton, em 1989) ou pela bela roupa com o símbolo do Morcego (de acordo com alguns, o mais famoso no mundo inteiro); seja pela formidável (e louca) galeria de vilões ou pela cidade goticamente estilizada e criada especialmente para o personagem cheio de trevas pessoais; seja ainda pelo último filme do personagem, Batman O Cavaleiro das Trevas, de Chritopher Nolan, a adaptação de Quadrinhos mais bem sucedida da história do Cinema (mais razões no divertido texto "50 Razões por que Batman é o maior super-herói de todos os tempos", em Inglês): Batman é, sem dúvida, o personagem mais querido e vendável da atualidade. E "inspirador": vide o Batman de Taubaté, o 'cosplayer' mais famoso da atualidade no combate ao crime!

Os demais votados da lista: Wolverine, em 4º lugar; Juiz Dredd, em 5º; Tintim (super-herói?! O que um filme do Spielberg não faz...) na 6ª posição; Capitão América, em sétimo; Mulher Maravilha, na oitava colocação; Spirit, em nono; e com O Coisa fechando a lista.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Porque Há Mulheres e Mulheres...



Eu me lembro de ter ganho, certa feita, uma gincana cultural no colégio em que estudava, tendo sido feita a pergunta derradeira sobre a origem do Dia Internacional da Mulher. Respondi que se tratava de um reconhecimento tardio ao fato de que, casado a outros momentos de luta posteriores, em 8 de março de 1857, mais de 100 operárias novaiorquinas haviam morrido carbonizadas, trancafiadas numa fábrica, simplesmente por reivindicarem condições melhores de trabalho (como equiparação salarial e redução da jornada feminina de então, de 16 horas) - para a surpresa das professoras presentes, que, aparentemente, talvez por eu ser homem (ou talvez mesmo por desconhecerem este fato até ver a resposta nas fichas da gincana), davam como certa a minha ignorância a respeito do tema...

Decerto que hoje, na era da informação virtual em segundos, quase todo mundo já conheça as origens e a história por trás do marco do dia o8 de março... Mas, se naquela época, meados da década de 90, já se dava esse desconhecimento generalizado sobre as origens e a verdadeira razão de ser do Dia Internacional das Mulheres, uma data muito mais de luta e de debates do que de mera comemoração romântica, que dizer de hoje, quando a data se esvaziou quase por completo de sentido, sendo normalmente carregada pelo comercialismo do sentimentalismo barato, pelos comerciais setoriais e propagandas vagabundas e machistas na televisão ou pelas flores, em meio a "lanches especiais", no escritório para as "belas pobrezinhas"? Uma pena, sem dúvida, uma vez que não vejo como homenagear indiscriminadamente todas as mulheres pelo simples fato de serem do sexo feminino: do contrário, seria como enaltecer uma figura de "cota de homenagem para mulheres"!

Até já cantei esta data com ar trovador, tempos atrás, mas hoje estou mais para um merecidamente maior destaque a uma calejada quebradeira de coco babaçu de alguma região perdida do interior do Maranhão do que para o oba-oba da repetição das costumeiramente esvaziadas "mulheres-de-destaque" ou "vencedoras" televisivas de sempre, como Fernanda Montenegro, Gisele Bündchen, Hebe etc. Decerto que algumas, pelo passado, pelo trabalho ou pelas recentes conquistas, realmente marcaram época e merecem encômios, não só pela data de hoje, como sempre: mulheres como a presidenta Dilma e a ministra Eliana Calmon, do CNJ, para citar dois exemplos bem atuais de destaque para desafios na ala feminina - porém, mesmo elas, em meio à forte boa-vontade ou a alguns descuidados deslizes, precisam ainda muito fazer pelas mulheres a serem homenageadas, ocupantes que são de reconhecidos lugares de poder.

Porque há mulheres intelectuais, "princesas" e "cachorras"; mulheres políticas das lutas sérias e "governadoras guerreiras" de araque das propagandas coronelistas; donas de casa e executivas... Em resumo, há mulheres e mulheres: todas numa acirrada luta, cada uma ao seu modo (cada mulher que arranje suas armas e seu modo de lutar), pelo seu lugar ao sol no acirrado universo ainda muito masculinizado. E, na falta desta tal conscientização plena, geral e irrestrita, no tanto que se há de diminuir a glamurização da data e no quanto nós ainda devemos lutar por nossas irmãs esquecidas, hoje não teço odes às inúmeras Marias da Penha largadas à margem da Justiça, ou às Claras Charfs, Marinas Silvas ou ainda às distantes Irmãs Dorothy; tampouco me alongarei nas críticas às apenas "vencedoras" (que nada fizeram além da sua obrigação: que sirvam de exemplo, sem maiores delongas!); mas rendo-me à esperança futura: esta postagem é dedicada a minha doce filhinha Isabela, cujo longo caminho pela frente espero ser pleno de conscientização e de afazeres femininos por um amanhã melhor e mais doce para todos ("e todas")!

terça-feira, 6 de março de 2012

Entreatos

In Memorian:
Aos que se foram... Pelo que deixaram...







E, falando em homenagens...
O menino Chaves e o "super-herói" Chapolin completam 40 anos


quinta-feira, 1 de março de 2012

Poesia
Antes que tarde
Hoje é dia


Perdão

Perdão
Pela tua grandeza
Pela certeza
Do desencanto

Teu canto que eu não mais sei ouvir

Sentir o tempo
A chamar
A carne a queimar
No tempo incerto

Decerto que o santo morreu e a obra se partiu...

Teu cerne pio
No tempo das graças
Rechaça
A morta sereia

A veia, solta, tateia, e volta a sossegar...

Teu navegar
Pelo meu rio
Segue o fio
Da navalha

E a alma canalha, enfim, quer se santificar...



Preta e Branco

No deserto da praia
Não sei até onde vai a mistura de cor
Se no depois do mar acinzentado
Ou no antes da areia mais clara
(Ou ainda no sol em seu ápice,
Só brilho sem cor):
Na curva do sal
Das amizades coloridas
Foram-se as feridas, fundem-se os olores


Pelos amigos de cor
Sigo preocupadamente maravilhado...
Seguem os pés descolorados
(Pés nos pés, pé ante pé)
Da menina marrom
Do beijo perfeito de mil cores


(Dilberto L. Rosa, Morcegos em São Luís, 2007)
 

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