quinta-feira, 30 de setembro de 2010

'Yaba daba doooo'!!!


'Post' carinhosamente dedicado a Isabela,
pelo mês das crianças
e pelos muitos bons desenhos animados
que veremos juntos...


Uma família precursora - Desde o tempo da pedra lascada que convidados ilustres são homenageados em 'sitcoms' norte-americanas, e com o desenho de maior prestígio na década de 60 não seria diferente: na sexta temporada (1965/66) de Os Flintstones, assim como outras personalidades do Cinema (Cary Grant como Cary Granito e Ann-Margret como Ann-Margrock, citando apenas dois exemplos), o astro de então,Tony Curtis, emprestou sua voz e seu rosto de galã para um episódio em que arrancava ciúmes de Fred como "Stony Curtis", lacaio por um dia de Wilma. E, junto ao aniversário de 50 anos dos Flintstones, Tony morreu, aos 85 anos, deixando clássicos absolutos como Quanto mais quente melhor e Spartacus: a ele também este 'post' é dedicado...


Muito antes do sarcasmo de Os Simpsons, outro desenho animado inovador sobre a classe média estadunidense se tornava um dos pioneiros em usar o horário nobre da TV norte-americana com até então inéditos episódios de animação de meia hora: Os Flintstones, genial criação dos mestres William Hanna e Joseph Barbera (animadores calejados dos anos 40, com Tom e Jerry no invejável currículo dos tempos da MGM, por exemplo), completa 50 anos de inteligentes ironias sobre o 'american way of life' passadas na "Era da Pedra Lascada" (impagáveis aquelas tiradas dos dinossauros sendo "explorados" pelos humanos como as "modernas tecnologias" de então - análogas às máquinas dos anos 60 - e reclamando para o telespectador!)...

De 30 de setembro de 1960 até abril de 1966, foram ao ar as primeiras (e melhores) temporadas dos Flintstones, seguidas por variações mais infantilóides nas décadas de 70 (como as séries Bambam e Pedrita, com os famosos filhos já adolescentes, e aquelas cheias de chatos coadjuvantes, como uma inusitada família Monstro como vizinha) e 80 (Flintstones nos anos dourados) - sem mencionar o mais que bobinho filme produzido por Spielberg, de 94! A despeito de quem visse ali apenas uma reciclagem de antigas séries televisivas, uma mistura entre The Honeymooners e os desenhos The Stone Age Cartoons, dos irmãos Fleischer, foram Os Flintstones que se popularizaram mundialmente como um dos mais interessantes e rentáveis desenhos animados da História - tanto que transformaram em fenômeno as precárias animações dos então iniciantes estúdios Hanna-Barbera (onde se repetiam à exaustão cenários de fundo e se reaproveitavam inúmeros gestos e expressões, tal como se dava também com outros clássicos personagens, como Dom Pixote, Zé Colméia, Manda-Chuva e Os Jetsons).

E, tal qual a dupla Laurel e Hardy, O Gordo e O Magro, Fred Flintstone e Barney Rubble foram, sem dúvida, a maior dupla cômica da animação televisiva: fosse enrolando Wilma e Betty para jogar o campeonato estadual de boliche ou para ir a uma reunião honorária do Clube dos Búfalos, fosse entrando em homéricos conflitos de vizinhança pelos motivos mais banais, Fred e Barney viraram ícones do humor de uma geração que cresceu vendo bons desenhos - da qual participei, na rabeira das reprises dos anos 80 em programas como Balão Mágico e TV Criança!

Entretanto, nem tudo sempre foram flores em Bedrock: Fred e Barney já apareceram fazendo comercial para a marca de cigarros Winston, uma das patrocinadoras iniciais do programa! Num momento de vadiagem, os dois machistas: largam as mulheres pegando no pesado e vão dar umas boas tragadas no quintal... Indiscutivelmente, bons e politicamente incorretos tempos que não voltam mais...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

"Desde que o samba é samba é assim..."


"Porque o samba nasceu lá na Bahia/ E se hoje ele é branco na poesia/ Se hoje ele é branco na poesia/ Ele é negro demais no coração"... Assim o "Branco mais preto do Brasil", o "Poeta e Diplomata" Vinícius de Moraes, fortemente influenciado pelo "feitiço baiano" dos afrossambas (samba misturado a músicas e termos de candomblé numa profícua fase iniciada em parceria com Baden Powell, em 1966, e esticada como influência artística pelo resto de sua vida), definiria a origem do samba no clássico samba-homenagem Samba da Bênção (1965). Assim, o mais completo ritmo musical do mundo era devidamente batizado como baiano!

Entretanto, muito antes do clássico de Vinícius e Baden, lá pelos idos de 1955, quando o Imortal Nelson Pereira dos Santos anunciava para o mundo seu neorealismo tropical (e, por isso mesmo, muito mais gostoso - vindo a gerar algumas outras amargas, porém geniais, crias, como Vidas Secas, de Glauber Rocha) com o "filme nº 1 do Cinema Novo" Rio 40º, a clássica A Voz do Morro, do mestre Zé Ketti, anunciava para o mundo, por sua vez, uma outra versão de "naturalidade" do samba: o menino não era baiano coisa nenhuma; era carioca da gema! "Eu sou o samba/ Sou natural daqui do Rio de Janeiro/ Sou eu quem levo a alegria/ Para milhões de corações brasileiros"... Assim decretava Zé Ketti! E ponto final! Até aparecer Vinícius com aquela origem baiana dez anos depois...

O chato é que nenhum dos dois "pais" do moleque está mais entre nós para dar a sua versão geográfica do nascimento: queria o velho Poetinha homenagear seu "segundo lar" à época, evocando eventuais origens históricas nacionais (afinal, o Brasil começou na Bahia...)? Ou estava mesmo certo o portelense cheio de opinião Zé ao dizer que o samba era mesmo da terra de Noel, gênio maior do gênero? Não saberia dizer... O certo é que, se houve até paulista gênio nessa área, como o mais-que-bom sujeito Adoniran Barbosa nascido há cem anos nas terras sepulcrais de São Paulo (como bem atestou o "túmulo do samba" de Caetano) e qualquer grande artista deste Brasilzão de meu Deus já soube dizer no pé - como o também saudoso Antonio Vieira, maranhense e sambista de marca maior -, parece que querer saber o local de nascimento do Samba é tão tolo quanto dizer que ele morreu... Por isso, parece que não há nada mais sensato do que finalizar tal discussão sem fim com uma legítima Voz do Morro, Paulinho da Viola, o "Príncipe do Samba": "Há muito tempo eu escuto esse papo furado dizendo que o samba acabou,/ Só se foi quando o dia clareou"...


'Post' dedicado a Claude Lelouch, gênio que me ensinou a gostar de Cinema francês - afinal, ele e Vinícius, pai do Samba da Bênção ao lado de Baden, protagonizaram um episódio cadencialmente curioso, muito bem narrado por Arnaldo Agrias Huss:

" Em 1964, Vinícius estava em seus estertores diplomáticos em Paris (seria cassado pouco depois) a serviço da UNESCO. Na capital francesa conheceu o produtor cinematográfico Pierre Barouh, a quem vendeu o argumento de um filme chamado ‘ARRASTÃO’, que “no fim saiu uma porcaria”. Mais tarde, no Brasil, Pierre pediu a Vinícius e Baden uma gravação do ‘SAMBA DA BÊNÇÃO’, que levou para a França. Pouco depois (1966), Vinícius foi convidado a participar do júri do Festival de Cannes.

“Era o ano de lançamento do filme ‘UM HOMEM, UMA MULHER’, que foi exibido no Festival. Quando da apresentação, eu ouvi nossa música e levei um susto. Fiquei contentíssimo, é claro”, disse Vinícius.

Mas nem Vinícius, nem Baden apareciam como autores. Os créditos falavam em ‘música de Francis Lai e palavras de Pierre Barouh’, com a música sendo chamada de ‘Samba Saravah’. E a explicação do produtor Barouh era meio estranha:

— “Ah, você sabe, na versão do disco já saiu o seu nome...”
— “Isso, aqui na França, mas e no resto do mundo? Depois vão pensar que o samba é seu... E o meu parceiro, como é que fica?”, argumentou Vinícius.

Depois dessa conversa, o diplomata acabou indo ver o diretor do filme, Claude Lelouch, que lhe respondeu:

— “Olha, velho, se eu for fazer um corte no filme para incluir o teu nome e o do teu parceiro, vai custar uns 160.000 francos”.
— “Azar seu! Você vai botar senão eu vou te processar”.

E assim o nome da dupla brasileira passou a figurar no filme (embora, ao que parece, não em todas as cópias)."

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Algumas imagens valem mais que mil palavras...

Conversando com o então aniversariante amigo Sérgio Ronnie no último dia 13, dentre as costumeiras brincadeiras sobre a "velhice e a calvície chegando", deparamo-nos, já como de praxe em nossas prosas, com a Política de nosso País/Estado e, como não poderia deixar de ser, com as eleições que se aproximam - no que ele me vem com esta adorável surpresa:

- Rapaz, andei sumido mesmo: eu estava em São Paulo, trabalhando num documentário sobre o Sarney - convite irrecusável, o Marcelo Tas 'tá envolvido: olha esse vídeo dele, como 'teaser' do nosso trabalho, que está ficando muito bom..."


Sem dúvida, ums excelente mensagem e um convite para uma ampla reflexão nacional... Pois que me pego, depois, acompanhando a campanha eleitoral na TV e me deparo com a seguinte sequência: os eternos senadores do Sarney pelo Maranhão, Lobão e João Alberto (quando a Roseana não está governando o Estado; senão uma das vagas é dela!), brincando com a cara do povo maranhense, como as "únicas" duas opções para as vagas de senador do nosso já tão vilipendiado Estado...


E o escárnio parece não ter fim: Roseana Sarney (governadora do Maranhão de 1994 a 2002 e, depois da cassação de Jackson Lago, primeiro governador eleito fora do Clã, governadora atual desde abril de 2009 - quando o legalmente correto seria a realização de novas eleições), depois de alguns programas com direito a "lindas biografias", momentos "caseiros" (como a candidata preparando, "como ninguém, uma deliciosa carne moída com quiabo"!) e de verdadeiros acintes - como o que afirma ser ela "aquela que não aceita pobreza como condição de vida pra ninguém", "que fica indignada com a criança sem escola, com a mãe sem médico, com o pai sem trabalho" (!) -, vem falar que fará uma "Revolução na Educação"! Acompanhe o vídeo e divirta-se:


Sem comentários... O que dizer depois da comparação do Maranhão a "qualquer outro estado do Brasil" - "até São Paulo" ("Não é mostrando a pobreza que ainda temos, não é expondo a infelicidade das pessoas no horário eleitoral é que a gente contribui para o bem do Maranhão")? Ou ainda, depois de ver Lula, que há não muito tempo bradava todos os podres de Sarney e família em qualquer palanque do País, vindo agora pedir voto para a "companheira guerreira Roseana" (junto a Dilma, "amiga de Roseana", intimidade infantilmente repetida em quase todo programa da candidata!)?

Mas acinte mesmo veio com uma das últimas propagandas (não disponível em vídeo), onde uma voz é ouvida saindo dos céus, tal qual um Deus falando com Moisés no clássico Os 10 Mandamentos, afirmando ser a "consciência do povo maranhense", clamando pessoas nas mais diversas ocupações (que se quedam olhando para o alto, como que a esperar a ordem da "Deusa") sobre a correta decisão: votar em Roseana... Sem dúvida, muito melhor foram as "respostas" dos demais candidatos de oposição (especialmente a do PSTU local, sobre o "salto" prometido na educação):






Que a oposição faça sua parte, una-se de verdade por um objetivo maior e procure corrigir eventuais derrapões passados... Nossa parte está feita: revelar imagens que sempre valem mais que mil palavras...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Dos versos que te fiz,
São Luís...



"Todo mundo canta sua terra e eu também vou cantar a minha! Modéstia à parte seu moço, minha terra é uma belezinha...", já diziam os clássicos versos do Poeta João do Vale sobre o Maranhão, especialmente dirigindo-se à sua capital, São Luís. E, por ocasião de mais um aniversário desta Ilha (398 anos, com feriado mais que prolongado até este 8 de setembro), descubro que, mesmo com toda a devoção poética que sempre lhe dediquei, neste espaço virtual e por entre os reais casarões e becos do Centro Histórico, ladeiras, ruas e avenidas estreitas, praias e palmeiras, para São Luís contei muito mais Prosa que Poesia: apenas dois poemas figuram em toda a minha obra a esta mulher-cidade de belezas e dores seculares...

Que seja assim, que em prosa também se canta esta "ilha inexata quando toca o coração", como no belo e magnético dizer de César Nascimento, outro poeta nosso: pelas paisagens cheias de ritmo, pelos sabores cheios de olores, pelos sonhos por dias melhores para este povo sofrido e cheio de cores e para este chão, meus dois poemas para ti, São Luís do Maranhão:


Viagens

Às vezes sonho com ruas desertas
Entrecortadas por ladeiras
De palmeiras encimadas
E finalizadas com uma estação
Derradeira
Que me levasse para longe daqui...

Pelos incômodos sacolejos e despreparos
Da imaginação distante
De uma viagem de sonho para além
Numa lancha, num ônibus, avião ou num trem
Às vezes sonho que sou feliz...

Então sonho que acordo ao teu lado
E sigo, calado,
Pela derradeira e inevitável
Poesia de São Luís...

(Dilberto L. Rosa, 2007/2010)



Pois só por cima
de teus telhados
eu respiro
A brisa de saudade
que não sei explicar
De onde vem, para onde vou
– minha cabeça em giro
Por sobre a cidade-tempo
suspensa no ar...

(Dilberto L. Rosa, 2008)


Créditos e legendas desta postagem: Vista aérea da Ponta d'Areia (Dulcilene Brito); Fonte do Ribeirão e Teatro Arthur Azevedo (celular) (Dilberto L. Rosa); Rua Portugal - Centro Histórico e Beira-Mar vista do Rio Anil (autorias desconhecidas - arquivos pessoais); Avenida Litorânea - Praia do Calhau (Dulcilene Brito)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Extra! Extra! Extra! Extra!
Os Morcegos estão de volta!

Mergulhando de volta de velhas fortalezas rumo ao desconhecido excitante de novas cavernas...


É extraordinário como o ser humano costuma se reduzir desde tempos idos... Assim, uma mentira, uma sedução, um medo ou uma covardia qualquer acabam por deixar um homem na sombra do que um dia foi... Mas, como tudo renasce a cada dia, com novas vidas advindas das velhas, acaba-se por se ter algo novo e profícuo de uma redução: qualquer um pode renovar-se de uma perda, renascendo desse desvio como um novo alguém...

O mesmo pode se dar com nossa Língua: reduções, tão comuns em nossos processos de derivações de palavras, acabam por fazer crescer um vocábulo "menor"... Tome-se o caso de "extraordinário": o prefixo "extra", de origem latina, significando "posição exterior", "fora de", juntou-se como fervorosa argamassa a inúmeras Línguas no planeta e sempre formou palavras no sentido de algo a mais, fosse na literalidade de um "extravasar", fosse nas sempre misteriosas linhas de um mundo "extraconjugal", para se ficar só com dois exemplos - isto porque, melhor do que todos, sempre se encontrou aquele que estava por cima do comum e ordinário, o "extraordinário": este, como que acima do bem e do mal, pariu desde os roucos clamores dos jovens vendedores de jornais nas calçadas dos primeiros anos do século passado, ao evidenciar as últimas e mais sensacionais manchetes, até o definitivo, solto e solitário uso nas horas a mais trabalhadas por um pobre trabalhador, ávido por um dinheirinho a mais ao final do mês...

Isso mesmo: sem hífen e sem junção outra qualquer, "extra" virou palavra solta, cheia de significados e jamais outra vez reduzida! Porque extraordinário é algo incrível, porém grande demais para caber nas corridas bocas adjetivas, que tudo querem e tudo podem! Por isso flexionamos as horas extras e os extras de um bom DVD (eu, por exemplo, não compro um filme sem eles, especialmente se num disco em separado, exclusivo de bastidores extraordinários!) - afinal, a falta de flexão de composições e derivações pesadas e passadas travam a língua sassariqueira das portas das Colombos dos dias atuais!

E é por isso que, diante de tantos ganhos recentes, muito maiores e mais bonitos do que poderia merecer minha vã Filosofia, com tantas aulas de doces aprendizados por sobre a aspereza de um mundo difícil e sem esperanças (especialmente diante de campanhas fadadas a nada "extra"...), posso dizer que muito pouco de super-humano importa mais - porque os deuses estão mortos e assim falaria Zarathrusta, caso se pudesse anunciar nos caracteres extras de uma moderna e virtual rede social: nada mais de super-homens; extra mesmo é ser Batman!

Morre Super-Homem... Renasce Homem-Morcego!
 

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