quarta-feira, 23 de novembro de 2005

Salve, queridos amigos de plantão: aproveito a falta de tempo para publicar a minha querida ROTATÓRIA, hoje com a estréia do talentoso amigo Luiz Henrique Oliveira, que deu um tempinho nas suas inúmeras atividades como produtor do áudio-visual (além das ocupações com seu excelente blog sobre Cinema, o Under Pressure) e me mandou um excelente texto sobre a velha "máquina de fazer doidos", justamente na semana em que é comemorado o Dia Internacional da Televisão... E eu estarei de volta na sexta, com minha estréia no "post comunitário" da Micha!


A Lente do Luiz!


LIKE HUMANS DO

A TV é estranha. Em muitos momentos pode parecer um veículo útil e de prestação de serviços; por outro lado, parece mais um veiculador de mentiras, lorotas, e propagador da discórdia no nosso planeta. E, sinceramente, essa segunda opção parece ser a mais correta. Mas quando o padre Roberto Landell fez no Brasil o primeiro projeto de radiotransmissão de que se tem noticia, em 1893, ele não sabia na zebra que isso ia dar. Portanto, vamos dar um desconto pra ele. Mas não deixa de ser curioso: o aparelho que hoje propaga tudo o que é impuro foi inventado por um padre. Se ele estivesse vivo hoje e tivesse a honra (?) de assistir a programação da TV aberta, certamente ele pensaria que o mundo está perdido e que Deus teria que mandar mais um dilúvio para refazer a humanidade. Ironia? Talvez.

E nem quando Assis Chateubriand, paraibano arretado, resolveu trazer a modernidade ao nosso país (mas ela não havia sido criado aqui?), em 1950, sequer imaginava a confusão que isso iria trazer. Algumas pessoas podem ter deduzido que isso só podia dar zebu. Talvez por isso, Hebe Camargo alegou rouquidão e largou a bomba para a Lolita Rodrigues, que foi obrigada a cantar o Hino da Televisão ao vivo, no dia 18 de setembro de 1950. Hoje, Hebe é apresentadora consagrada e Lolita é atriz igualmente reconhecida. Ironia? Talvez.

Capão Bonito, interior do interior do estado de São Paulo, 1989. Um homem chega em casa, mete o pé na porta e grita a plenos pulmões: "Pessoal! Finalmente chegou!". Foi aquele alvoroço na pequena casa que abrigava 6 pessoas. Eram os quatro filhos aparvilhados, a mulher inquieta e o marido feliz da vida, carregando duas caixas: uma grande e outra pequena. Na grande, havia um aparelho de TV novinho, último modelo. Na menor, um video-cassete duas cabeças, um luxo àquela época, comprado por financiamento em 6000 e tantas suaves prestações. Instalaram tudo e ficaram maravilhados. Foram até a locadora e pegaram 14 filmes, e fizeram questão de mostrar a sacolinha com o logotipo da locadora. Hoje, três dos filhos são viciados em novela e no programa do João Kleber, a mulher só vê novela porque não tem nada melhor a fazer e o marido dorme às oito da noite, sem sequer ligar o "aparelho último modelo" na sua sala. O quarto filho é um perdido, fanático por cinema e escreve para sites e para um certo blog sobre Sétima Arte que tem nome de música do Queen... Ironia? Talvez.

O certo é que os programas de TV, hoje em dia, estão mais para a baixaria gratuita do que para programa. Se a atração de João Kleber for considerado um programa decente, minha avó é bicicleta. E não é só essa atração que está perdida. Algumas tantas que por alguns anos eram considerados "de familia" hoje são o antro de perdição dos jovens incautos. Velhas beatas não permitem que os seus valiosos netos passem em frente ao aparelho com medo de pegarem o grande fenômeno da "bundalização" do Brasil. Sério. Ligue em qualquer horário, em qualquer emissora de canal aberto e conte até 100. Se não aparecer uma bunda, certamente você não ligou o aparelho. Teve uma época pior, no fim do século passado, em que todos os programas tinham bailarinas com a massa glútea balançando pra lá e pra cá, para alegria dos homens, desespero das mulheres desses homens e nojo daqueles que não são chegados.

Claro que ainda há canais que se preocupam com o bem estar do telespectador, colocando programas de utilidade púbilca. Mas na minha modesta opinião, eu creio que em um prazo médio de três anos esses programas vão acabar. Falta de audência. Ibope. Quem é que liga para um programa de prestação de serviços, sendo que alguma bailarina de algum grupo de axé baiano está balançando a bunda no Gugu? Ou no Faustão? Isso sem contar o funk...

Tudo hoje gira em torno do Ibope, que cresce conforme o estado de baixaria que o programa exibe. Porque você acha que ultimamente o recordista no Ibope é a TV Senado? Quer mais baixaria que isso, assista ao programa de descarrego na Record, depois da meia noite. Quem sabe pode até dar certo, já que a televisão, criada com tanta boa vontade e com boas intenções, está precisando de um exorcismo. E cá entre nós: tudo que é feito com boas intenções acabam criando verdadeiras armas contra a humanidade, como a bomba atômica e o programa de variedades do Gilberto Barros...

(Luiz Henrique Oliveira)
 

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